Sábado, 1 de Outubro de 2011

© Camila de Sousa

 

 

Está a decorrer nestes dias em Maputo a segunda edição das Ocupações Temporárias que tem por "chave" a precariedade. Inaugurou, ou melhor: o conjunto das cinco intervenções passou a ocupar vários lugares da cidade no dia 11 de Setembro, data do 10º aniversário sobre os atentados às Torres do World Trade Center de Nova Iorque.

A produtora das Ocupações, Elisa Santos, definiu-as como intervenções que assinalam o ”dia que marca o fim do mito da inviolável segurança, o fim da tranquilidade colectiva”.

 

Numa cidade e num país em mutações rápidas e com uma opinião pública muito pouco sustentada e pouco interventiva, que lugar ocupam os artistas neste processo de constituição de uma cidade aberta ao mundo? E que artistas são estes?

Os artistas que intervêm correspondem à mais recente geração de criadores já muito distantes da geração de Malangatana e Shikane, como de Naguib e mesmo do Muvart (este último, o movimento surgido no princípio da década deste século). Estes novos artistas são os artistas "conectados" pelas redes sociais, visitantes de sites, links, em estado constante de recepção via sms ou facebook e são artistas com preocupações sociais tomadas de um modo muito próprio. Nenhuma vertente sociológica é neles predominante mas rebelam-se contra os casos de corrupção pública, de desigualdade social, de falta de espaço no espaço público. Cada vez que intervêm escolhem o meio mais adequado e à parte disto são músicos, fotógrafos, desenhadores, pintores.

 

© Filipe Branquinho

 

O resultado das instalações – cuja descrição exaustiva pode ser vista em http://ocupacoestemporarias.blogspot.com/ – é uma constelação de rebeldia artística. Bem distante em termos de produção, de impacto mediático e de notoriedade, é como se de algum modo assistíssemos a um remake no Maputo da exposição "Quando as atitudes tomam formas", de 1969, com curadoria de Harald Szeemann.

No conjunto as Ocupações são de uma fragilidade de produção enorme dada a escassez dos meios, mas esta fragilidade dá-lhes uma inovação no processo de criação artística na actualidade moçambicana muito importante e a diversidade das propostas é uma das grandes mais-valias do processo, tanto mais que a qualidade plástica e interventiva das mesmas é determinante. Sejam as fotos e o vídeo assombrosos de Camila de Sousa, os retratos da exaltação da dignidade dos retratados de Filipe Branquinho, o Facebook em materiais pobres com intervenções públicas da autoria de Azagaia, o muro a graffiti de mitologias urbanas de ShotB Hontm, os desenhos das situações utópicas de Jorge Fernandes.

 

APR

 

   Cartaz das "Ocupações Temporárias" 

 



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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

 

Maputo will be Occupied once again.

 

Temporary Occupations 20.11 installs itself again in the capital city bringing contemporary art to public spaces, from 11/09 to 02/10.

 

The Faculty of Medicine at the Eduardo Mondlane University, the Mozambican Photography Association, Cinema Scala, OUA and 25 de Setembro Avenues will be occupied by interventions by Camila de Sousa, Filipe Branquinho, Jorge Fernandes, Shot-B and Azagaia, in the second edition on the project TEMPORARY OCCUPATIONS, this year with the theme of PRECARIOUSNESS.

 

The opening of the five installations begins at 15:00 at the Faculty of Medicine and will follow this route:

Faculty of Medicine --> OUA Avenue -- > 25 de Setembro Avenue (Cinema Scala + EMOSE building) --> Julius Nyerere Avenue (Mozambican Photography Association).

 

 

 



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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

© Maimuna Adam

 

OCUPAÇÕES TEMPORÁRIAS 20.11 inaugurará no dia em que se celebram 10 anos sobre o ataque às torres de Nova Iorque, o dia que marca a queda do mito da segurança inviolável, o fim da tranquilidade colectiva. Novos interesses parecem estabelecer-se e com isso novas ordens que alteram estruturas fundamentais como o trabalho, o parentesco, as relações sociais e até as identidades. Estes são os tempos da PRECARIEDADE, do transitório, do temporário, do inseguro.

 

O que acontecerá ao que sempre nos foi confortável e apaziguador, ao que sempre tivemos como definitivo, permanente, seguro? Voltará? Queremos que volte? Saberemos, poderemos, conciliar frenesim com eternidade? Resultado com paciência? Sucesso com memória? As OCUPAÇÕES TEMPORÁRIAS 20.11 são elas próprias, por definição, precárias, tendo em conta os locais e condições em que se apresentam, mas na versão deste ano sê-lo-ão ainda mais, já que se apresentam assumidamente como uma proposta de reflexão pública sobre o tema que terá um espaço de particular relevo nos encontros com artistas e as conferências a realizar em parceria com a Academia.

 

Para saber mais é só seguir por aqui...

 



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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

 

 

Um dos mais importantes festivais internacionais de documentários está de volta para a sua 6.ª edição. Este ano o DOCKANEMA - Festival do Filme Documentário, tem lugar na capital moçambicana de 9 a 18 de Setembro e o seu principal eixo temático é o Desporto, dado que Maputo recebe os jogos africanos durante o mesmo período.

 

Mais sobre o DOCKANEMA aqui.

 



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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

 

 

 

 

 

“Projecto anual de ‘encontro’, ‘intercâmbio’ e ‘criação’ entre jovens criadores emergentes espanhóis e o potencial tecido criador de diferentes países do continente africano”, CREO EN ÁFRICA organiza um encontro preparatório no próximo dia 7 de Setembro, em Madrid, já tendo em vista a preparação da sua segunda edição.

 

Contaremos con la presencia de los creadores que participaron en Creo en África en su edición en Malabo (Guinea Ecuatorial): la fotógrafa Tanit Plana, el ilustrador Juan Zamora y la realizadora Carla Alonso. Ellos nos contarán su experiencia con los jóvenes guineanos con quienes compartieron talleres y proyectos. También proyectaremos un corto documental inédito sobre la primera edición de Creo en África.

 

Además haremos púbicas las bases para la convocatoria de la segunda edición, de Creo en África, que tendrá lugar en Mozambique.

 

A continuación de la presentación de Creo en África, y en el marco de la Semana de la Cooperación, la Secretaría de Estado de Cooperación Internacional, a través de la Agencia Española de Cooperación Internacional al Desarrollo organiza un concierto gratuito con La Shica y, a continuación, un concierto conjunto de los artistas árabes Naïssam Jalal (Siria) y Rayess Bek, DJ libanés y pionero del rap en el mundo árabe. No te pierdas este concierto, en el Círculo de Bellas Artes, en el que podrás disfrutar de la creatividad y pasión de La Shica y de la novedosa propuesta de Naïssam Jalal y Rayess Bek.

 

Mais informações também através do http://www.notodo.com/  

 

 



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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

 

 

Em Maputo já está a decorrer a 2.ª edição do KUGOMA: o Fórum de Cinema de Curta Metragem de Moçambique, que neste ano termina a 10 de Julho. O primeiro KUGOMA aconteceu entre os dias 10 e 14 de Novembro do ano passado, também na capital de Moçambique, e levou filmes, documentários e curtas metragens até às populações dos bairros.

 

Nesta edição de 2011 o KUGOMA conta com uma vasta programação de cinema de animação, seções dedicadas à Música, ao Futebol, a filmes para adultos, para adolescentes, além de diversas co-produções que permitem ter alinhamentos temáticos dentro do próprio festival ("Tão Perto, Tão Longe"/LX Filmes, Curtas Africanas, Festival Black & White, etc). Toda a programação, aqui.



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Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Nsiro, Ilha de Moçambique (2003), de Sérgio Santimano

 

 

O fotógrafo moçambicano radicado na Suécia, SÉRGIO SANTIMANO, apresentou na passada quarta-feira, na cidade de sueca de Upsala uma exposição de fotografias intitulada "Africa has the floor". A mostra integrou a ECAS 2011 - 4th European Conference on African Studies entre 15 e 18 de Junho e em Agosto estará disponível na internet em acesso livre, sendo exibida em Setembro na Feira do Livro de Gotemburgo 2011.

Para saber mais basta navegar por aqui.



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Sábado, 18 de Junho de 2011

Drumming - Grupo de Percussão (foto: Susana Neves)

 

 

E se a programação de teatro teve início a 16 de Junho, com a estreia de “Woyzeck on the Highveld” (é hoje a última apresentação, às 19h), a de música começa hoje às 21h30, no Anfiteatro ao Ar Livre, com um concerto único da Orquestra Gulbenkian, o Drumming – Grupo de Percussão e Matchume Zango (Timbila de Moçambique), tendo Pedro Neves por Maestro.

 

 

HOJE, 18 de Junho (sábado)

 

19h00 Sala Polivalente do CAM TEATRO / Cada bilhete: 20 Eur 

"Woyzeck on the Highveld" (África do Sul)

HANDSPRING PUPPET COMPANY, com encenação e videos de WILLIAM KENTRIDGE 

(última apresentação) 

 

21h30 Anfiteatro ao Ar Livre MÚSICA / Cada bilhete: 18 Eur

Orquestra Gulbenkian, Drumming Grupo de Percussão e Matchume Zango (Timbila de Moçambique)

Programa - Maestro Pedro Neves

Steve Reich, Drumming: Part I

Marlos Nobre, Concerto N.º 2/a para 3 Percussões e Orquestra, Opus 109a (2011) [versão encomendada pelo grupo Drumming, a quem Marlos Nobre dedica a partitura]

(Sem Autor) Timbila, Música Africana para Percussão

Iannis Xenakis, Pithoprakta

Gyorgy Ligeti, Romanian Concerto

 

Matchume Zango e Drumming - Grupo de Percussão (foto: Susana Neves)

 

 

AMANHÃ, 19 de Junho (domingo)

 

19h00 (1.ª parte) e 22h00 (2.ª parte) Jardim Gulbenkian MÚSICA / Bilhete único: 12 Eur

"Aquarium Materialis"

Victor Gama (Angola) e Pedro Carneiro (Portugal)

 

 

CONTINUAM

 

10h00 às 18h00 (3.ª a domingo) Edifício-Sede EXPOSIÇÃO / Cada bilhete: 4 Eur (excepto aos domingos, que são de entrada livre)

"Fronteiras" / 8.ºs Encontros Fotográficos de Bamako

Até 28 de Agosto 2011

 

08h00 às 20h00 Jardim Gulbenkian ARTE PÚBLICA / Entrada Livre

NANDIPHA MNTAMBO (África do Sul)

KBOCO (Brasil)

RAQS MEDIA (Índia)

Até 30 de Setembro 2011

 

projecto CHAPEÚS-DE-SOL (arq. Inês Lobo)

BÁRBARA ASSIS PACHECO (Portugal)

RACHEL KORMAN (Brasil)

ISAÍAS CORREA (Chile)

DÉLIO JASSE (Angola)

Até 30 de Setembro 2011

 

 

Bilheteira on-line, aqui.

Site do PRÓXIMO FUTURO, aqui.
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No Twitter, aqui.


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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Um exercíciode análise muito claro para ajudar a preparar o futuro de um país muito dependente. Aqui



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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011


Chama-se Índico.

Fica ali, no sítio dela, naquela bolsinha mesmo à fente dos meus joelhos, entre um saquinho para momentos mais agitados e as derradeiras instruções para casos de emergência.

A Índico está muito diferentes desde a última vez que a vi. Mudou de visual, está mais bonita, mais atraente. E mudou mais que isso, mudou o modo, mudou a "voz" e o "discurso".

Índico é o nome da revista de bordo da companhia aéra moçambicana e, tal como todas as edições do género, tem como objectivo promover o país e os destinos da transportadora. O escritor Nelson Saúte é o director da revista e não está sózinho já que nela colaboram regularmente outros nomes das letras como Ba Ka Kossa ou Mia Couto e também fotógrafos reconhecidos como Funcho ou Rui Assubuji. Deve ser por isso, por a LAM ter entendido  que a indústria ganha em aliar-se aos artistas, aos criadores, e que estes são uma força de trabalho valorosa, que esta "nova" revista, que em Junho faz um ano, transmite Moçambique não só pela sua "geografia" mas também pela sua "demografia" cuidando de mostrar paisagens, como cuida de contar histórias, de revelar as arte e o património. 

Não resisto e trago-a comigo quando saio do avião. Envio páginas soltas em cartas aos amigos e à família e guardo alguns recortes como recordações de viagem. Os próximos números sei que os encontro a bordo ou aqui.

 

 Elisa Santos

 

 

[Fotografia de Ana Rodrigues]



publicado por Próximo Futuro às 13:13
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sobre
Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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