Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Próximo Futuro

Próximo Futuro

18
Fev11

O que é que Angola tem (2)

Próximo Futuro

  

 

Angola tem "chineses".

 

Tem muitos chineses, vietenamitas, coreanos... Homens amarelos que entretanto se amorenaram, que têm olhos rasgados e hábitos diversos e que se instalaram por todo o lado. Angola tem "chineses" que  fazem a estrada, conduzem camiões, têm lojas, constroem casas, hóteis, fábricas, aeroportos, exploram pedreiras; são engenheiros, médicos, arquitectos, electricistas, negociadores.

Angola tem as mulheres dos "chineses" que se escondem nas casas e nas lojas, que vendem gelo, iogurte, fotografias e quinquilharias, e que deambulam como sombras esquivas pelos mercados e pelas ruas.

Angola tem chapeús de palha de aba larga, a fazer lembrar campos infinitos de arroz, espalhados em cabeças negras de africanos,tem calças de ganga de cinta descida e camisolas de manga à cava em corpos orientais, homens acocorados que conversam e fumam, letras como desenhos pintadas em pedras marcando a passagem por ali, ortografias novas, ortografias baralhadas.

Angola não tem bebés chineses. Angola tem tudo misturado, mas a mestiçagem ainda não tem traços de oriente.

 

 

16
Fev11

O que é que Angola tem (1)

Próximo Futuro

 

 

Angola tem paisagens enormes, horizontes imensos, naturezas brutais. Tem as Quedas da Kalandula, as segundas em ordem de grandeza em toda a África. Tem tonalidades de verde, humidade tropical, chuvas fortes, céu azul, Pedras Negras, rios e rios, lagoas, mar, montes íngremes e planaltos chãos.

 

Angola tem agora línguas de asfalto que lambém quilómetros de terra, que parecem querer unir o país inteiro, e que se interrompem, vez em quando, dando lugar a sobressaltos de guerras passadas, a buracos por reparar e trajectos enlameados.

 

Angola tem maus hábitos, faltas de hábito e gente que quer mudar de hábitos.

 

09
Dez10

A ver em Paris

Próximo Futuro

 

Um museu que investe muito seriamente na apresentação de arte africana tradicional e erudita. É o Museu Dapper que apresenta até 10 de Julho de 2011 a EXPOSIÇÃO Angola Figures de Pouvoir. Um exposição composta por uma primeira parte dedicada à obra do artista plástico António Olé e uma segunda parte que reune peças extraordinárias provenientes de várias colecções públicas e privadas de escultura, estatuária, máscaras, tecidos e utensílios de rito de Angola, ou mais precisamente, do antigo reino do Congo. A ver, aqui, ou lá.

 

 

 

(CHOKWE) Angola, figures de pouvoir

 

E uma exposição de fotografia de artistas sul-americanos com obras desde os anos 30 do século passado à actualidade: Fragments Latino-Américains. São dezasseis fotógrafos de nove países e é uma exposição a ver para conhecer a excelência desta tradição fotográfica. Na Casa da América Latina em Paris.

 

 

 

 Roberto Humacaya

13
Ago10

TEMPO DE OUVIR O ‘OUTRO’ ENQUANTO O “OUTRO” AINDA EXISTE, ANTES QUE HAJA SÓ O OUTRO...

Próximo Futuro

 

 

 

(Conferência proferida por RUY DUARTE DE CARVALHO a 27 de Outubro de 2008 no âmbito da Conferência 'Podemos viver sem o Outro?'/Programa Gulbenkian Distância e Proximidade. Este texto está publicado no  livro com o mesmo título pela Tinta da China/Fundação Calouste Gulbenkian)

 

Ruy Duarte de Carvalho

 

........fazendo eu parte, cívica, emotiva e intelectualmente, da categoria geral do OUTRO em relação à Europa, também por outro lado a questão do OUTRO, e dadas as condições fenotípicas e de origem que me assistem, tem feito sempre parte da minha experiência existencial e pessoal dentro do próprio contexto, africano e angolano, em que venho exercendo a vida e ofício......  isso me tem levado, para poder ver se consigo entender o mundo e entender-me nele e com ele, a identificar e a reconhecer uma multiplicidade de OUTROS........ no presente caso retive apenas três categorias de OUTRO, que são as que me parecem capazes de permitir-me  tentar expor o que poderei ter para dizer aqui..........

 

.....considerarei aqui como OUTRO, sublinhado ou em itálico, os indivíduos e os grupos, muitos deles já nascidos ou constituídos no territórios das ex-metrópoles a partir de genitores ex-colonizados ou provenientes de ex-colónias e que hoje integram, de pleno direito estatutário, as populações nacionais dessas mesmas ex-metrópoles embora reconhecidos como diferentes da massa dominante através de traços fenotípicos ou culturais......... como ‘OUTRO’, entre apóstrofos, o ex-colonizado ocidentalizado com que o ocidente lida nos contextos das ex-colónias........ e finalmente como “OUTRO”, entre aspas, aquele sujeito marcado por traços afetos a populações que, integradas embora como nacionais em estados-nação que hoje existem a partir de contornos ex-coloniais, mantêm usos, práticas e comportamentos mais afins a quadros pré-coloniais do que pós-coloniais ou mais ou menos ocidentalizados........ quer dizer, subsiste  aí, em muitos casos, um “outro” não, ou ainda não completamente, ocidentalizado ....... . o qual, no decurso de um presente que é também o nosso, continua a ser objeto, evidentemente, de uma pressão ocidentalizante que acaba por ser a marca dominante do seu comum dia-a-dia de pessoas que à luz dos proclamados direitos do homem valem tanto como quaisquer outras pessoas no mundo..........

 

......só que a sua situação e a sua condição se revelam tão diferenciadas nos contextos nacionais em que subsistem que, da mesma maneira que aqui na Europa, onde estou agora a falar, as ex-metrópoles parece não saberem muito bem às vezes o que fazer com o outro, em itálico, que vem ao mundo em território seu, também o ‘outro’, entre apóstrofos, que gere os territórios das ex-colónias, parece também por seu lado ter dificuldade em saber o que fazer com esse “outro”, plenamente entre  aspas.........

 

..........este será, em meu entender, um dos problemas, um dos impasses colocados ao mundo de hoje pelo processo histórico que veio a configurá-lo e continua a dinamizá-lo tal como ele hoje existe, e é evidente que estou a falar da expansão ocidental como ela se tem desenvolvido e mantém em curso.................

 

 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2011
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2010
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2009
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D