O dia de hoje, sexta feira, foi particularmente pós-colonial, com mesas dedicadas à obra de Gilberto Freire, o grande sociólogo brasileiro homenageado na edição deste ano da Flip, outras dedicadas a autores iranianos como a escritora Azar Nafisi (n.1955), e israelitas, como o professor e escritor A. B. Yeshoua (n.1936), e ainda outras a autores nascidos em África, mas a residir na Europa e a trabalhar o tema da identidade, como William Boyd (n.1952) e Pauline Melville (n.1946). O dia contou também com a presença da estrela da literatura que é Salman Rushdie (n.1947), que veio a Paraty lançar o seu último livro " Luka and the fire of Life". Como é costume na Flip, as sessões foram animadas, com questões pertinentes colocadas pelos moderadores e pelo público e com intervenções singulares, tão inteligentes quanto cheias de humor. Ouvir o pioneiro dos estudos africanistas no Brasil, Alberto Costa e Silva (n.1931) - colaborou com o Próximo Futuro no jornal nº1 - falar sobre o aproveitamento político do luso-tropicalismo de Gilberto Freire, ou do deslumbramento de muitos intelectuais brasileiros pela figura do Dr. Salazar, caricaturando-os nos seus comentários, ou assistir às intervenções da socióloga brasileira Angela Alonso (n.1960) sobre a metodologia proustiana de Freire são momentos de grande gratificação intelectual para todos os participantes.
(Alberto Costa e Silva)
Salman Rushdie, veloz nas respostas, irónico, profissional deste género de encontros - fez-se acompanhar do filho para quem escreveu o livro que agora publica - foi uma estrela e comportou-se sabendo que o era. Mas o sofisticado raciocínio, o conhecimento histórico e o domínio da literatura deste autor são impressionantes. Aliás, um dos aspectos mais surpreendentes da intervenção de Rushdie, que fala em público num inglês erudito, é confrontarmo-nos com a sua capacidade de leitor. Aparentemente, leu tudo o que devia de ler…e ainda assim, escreve as obras que se sabe que escreve. É espantoso ver uma cidade "tomada"pela literatura, como por estes dias está a acontecer em Paraty. Mais de 30.000 pessoas, sempre com um livro na mão, passeiam-se entre as mesas de palestras e as mesas de leitura de obras, passando depois pelas livrarias, onde acontecem sessões de autógrafos, e pelos cafés literários, onde consultam os jornais do dia e leêm as revistas literárias. Por todo o lado na cidade, dos cafés às esplanadas, lêem-se livros e discute-se literatura. Façamos pois um exercício de imaginação….
Próximo Futuro
Entrevista com António Pinto Ribeiro
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