Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Memorial da Guerra das Malvinas, em Ushuaia, ARGENTINA

 

 

A 3.ª Bienal del Fin del Mundo terá lugar em Ushuaia, capital da Província da Terra do Fogo, na Argentina, localizada a 3.190 kilómetros a sul de Buenos Aires e mais conhecida como “a cidade mais austral do mundo” ou “a cidade do Fim do Mundo”.

 

Sob o mote “Bienvenidos al Antropoceno” (uma referência ao Prémio Nobel de Química – Paul Krutzen – que considera que os efeitos do comportamento do Homem sobre a Terra nos últimos séculos definem uma nova Era geológica: a Era do “Antropoceno”), esta edição realizar-se-á de Agosto a Setembro de 2011 e tem por curadora-geral Consuelo Císcar Casabán, directora do Instituto Valenciano de Arte Moderno (IVAM).

 

Aquando da sua visita a Ushuaia já no âmbito da preparação deste evento, a curadora enfatizou a importância da iniciativa: “Esta es la bienal de Argentina y es importante que sea desde el Fin del Mundo”. E adiantou que a mostra reunirá obras de artistas de todo o mundo em diferentes suportes, mas “poucas pinturas, dadas as condições climáticas da cidade”. Também se inclui no programa uma exposição de trabalhos de 65 artistas contemporâneos, pertencentes à Colecção do IVAM, e “um diálogo da arte com a literatura, ciências, moda e desenho, desportos e gastronomia”, em espaços como o Museu da Legislatura, uma antiga prisão e um hangar militar ainda em actividade.

 

Aqui, via Brasil, é possível ler o discurso de Consuelo Císcar Casabán e ter uma boa antevisão do que será a próxima Bienal do Fim do Mundo. Reconhecida pelo seu papel impulsionador na divulgação da produção artística da América Latina, a gestora cultural integrou em Setembro de 2010 o júri da primeira Trienal Internacional das Caraíbas.

 

 

Lúcia Marques



publicado por Próximo Futuro às 10:14
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Um poema de Breyten Breytenbach

 

 

HÁ UM PÁSSARO IMENSO

 

 

 

há um pássaro imenso meu amor

talvez um cisne selvagem

ou um albatroz cativo

ou falcão da montanha meu amor

de imenso e luminoso pico de neve

 

o seu rumo nocturno não podemos vê-lo

pois negro é o seu peito e o seu bico

mas o seu canto vibra como uma estrela

 

o dorso, e as ósseas penas, são azuis

e assim, também de dia não o vemos

porque voa, na altura, de ventre virado ao sol

 

dele, apenas, por vezes, duas sombras

atravessam teus olhos meu amor

 

dúbia é a cor da cor do meu amor

escuro rondando o escuro, noite minha

e sempre, sempre entre os meus olhos e eu

 

trad. de Mário Cesariny

 



publicado por Próximo Futuro às 06:52
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Orbis Terrae, in "Atlas sive Cosmographicae" (1595), Gerard Mercator 

 

 

Últimos dias para espreitar a exposição "Rediscovering African Geographies" na Royal Geographical Society em Londres!

 

From the great African Kings and Empires from 3000BC to the complex trade networks and migration of Africans within the continent and across the world, the Society's new Rediscovering African Geographies exhibition uses maps, photographs and literature from our Collections to travel through Africa’s history.

Rediscovering African Geographies shows, from an African perspective, how culture, international relations, language and conflict have shaped the geography we know today. It reveals often neglected stories and how these records of African societies, cultures and landscapes helped shape and inform European views of this continent and its people.

The exhibition, which runs from 22 March 2011 to 28 April 2011, has been created with African community partners representing the Congo, Ghana, Nigeria, Namibia, Zimbabwe, Sierra Leone and South Africa. It's free to visit and will be held at the Society premises, Monday to Friday 10am to 5pm.

The exhibition features Africans such as James Chuma, Abdullah Susi and Sidi Mubarak Bombay who made important contributions to the Victorian expeditions undertaken by David Livingstone and others that were supported by the Society.

 

Tudo o que é preciso saber aqui e um óptimo audio-slideshow da BBC aqui.

 

 

Lúcia Marques



publicado por Próximo Futuro às 06:30
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Um exercíciode análise muito claro para ajudar a preparar o futuro de um país muito dependente. Aqui



publicado por Próximo Futuro às 17:38
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Inaugura já no próximo dia 20 de Abril, na Maison Revue Noire, uma nova instalação (na foto) do artista camaronês Pascale Marthine Tayou dedicada a "anos de amizade e colaboração com os seus 'fétiches' Revue Noire".

P. M. Tayou nasceu em 1967 nos Camarões e actualmente vive em Douala e Bruxelas. Licenciado em Direito no seu país natal, iniciou-se nos anos 90 como artista autodidata e já integrou importantes mostras internacionais tais como: Who knows tomorrow (Berlim, Alemanha, 2010), 52.ª Biennale di Venezia (Itália, 2009), 4.ª Echigo-Tsumari Art Triennale (Tsumari, Japão, 2009), Africa Remix (Düsseldorf, Londres, Paris, Tóquio, Joanesburgo, 2004-2007), 8.ª Bienal de Istambul (Turquia, 2003), Documenta 11 (Kassel, Alemanha, 2002), 2.ª Bienal de Berlim (Alemanha, 2001), The Short Century (Munique-Berlim, Alemanha, 2001).

Aqui é possível ler uma curiosa entrevista através das palavras do curador francês de raízes camaronesas Simon Njami (co-fundador e editor-chefe da Revue Noire), a propósito de uma exposição virtual com o fotógrafo português, nascido em Barcelona, Jordi Burch.

 

Paralelamente, Joël Andrianomearisoa (n. 1977, Madagáscar) apresenta uma exposição colectiva iniciada em Antananarivo e intitulada 30 et Presque Songes, com "30 amigos, 30 artistas do mundo, que se reúnem em torno de obras originais de todas as disciplinas (arquitectura, arte sonora, culinária, fotografia, vídeo, arte visual, literatura, design...)". Vale a pena espreitar aqui também!

 

 

Lúcia Marques

 



publicado por Próximo Futuro às 06:30
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

 

 

 

 

[Mapa via Information is Beautiful]


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publicado por Próximo Futuro às 06:32
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Kader Attia, "Rochers Carres" (2009)
 
Notícia da LUSA sobre a exposição "Fronteiras":
 

A exposição "Fronteiras", com 160 imagens e 16 vídeos, vai mostrar a partir de 13 de maio, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a qualidade e vitalidade da criação africana e afro-americana contemporânea na área da fotografia.

Inserida no programa Próximo Futuro/Next Future, a mostra ficará patente até 28 de agosto, e inclui ainda conferências no mesmo dia, com alguns dos mais importantes intelectuais africanos, indicou à agência Lusa o programador António Pinto Ribeiro.

A exposição vem do Mali, onde foi apresentada em dezembro de 2009, no âmbito da 9.ª Bienal de Fotografia de Bamako, capital daquele país africano.

"É uma bienal muito falada nos circuitos artísticos devido à qualidade e diversidade dos trabalhos apresentados", comentou o consultor da Gulbenkian.

António Pinto Ribeiro esteve no Mali na altura da bienal e ficou "impressionado com a qualidade técnica de muitos fotógrafos - o que vai contra muitos dos clichés que hoje as pessoas têm da fotografia africana - com o maior uso da cor, e a forma como o tema foi tratado" pelos 62 fotógrafos que participaram.

Na altura ficou entusiasmado com a possibilidade de trazer a mostra a Lisboa no âmbito do programa Próximo Futuro, cujo objetivo principal é "dar a conhecer o que existe de mais cosmopolita e contemporâneo em África e na América Latina".

O tema "Fronteiras" foi tratado de forma "muito diversa e inesperada" e é revelado através da interpretação de cada fotógrafo, não se circunscrevendo à geografia, mas alargando-se às questões da imigração, do apartheid ou das questões de género (os papéis do feminino e do masculino na sociedade).

Na exposição será possível ver muitas fotografias documentais, mas também algumas encenadas, retratos, revelando as diversas opções dos criadores, onde se encontram nomes como Mohamed Bourouissa, Seydou Camara, Faten Gades, François-Xavier Gbré, Yo-Yo Gonthier, Armel Louzala e Anthony Kaminju Kimani.

Outro aspeto que Pinto Ribeiro notou foi o elevado número de mulheres que está a dedicar-se à fotografia, um fenómeno novo na atualidade, em África.

Entre elas contam-se Myriam Abdelaziz, Lilia Benzid e Jodi Bieber, de origem sul-africana, mas a residir em Moçambique, que apresenta um vídeo sobre as devastadoras inundações no país.

Além da exposição, estão previstas conferências no dia 13 de maio com a presença Patrick Chabal, professor de Estudos Africanos no King's College de Londres, Breyten Breytenbach, escritor e ativista sul-africano, Yudhishthir Raj Isar, conselheiro cultural independente e professor de Estudos em Políticas Culturais na Universidade Americana de Paris, e Kole Omotoso, autor de romances históricos, crítico e professor de drama na Universidade Stellenbosch, na África do Sul.

 

AG.

Lusa/Fim

 



publicado por Próximo Futuro às 06:30
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

 

 

 

A revista electrónica e-cadernos do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra lançou um “call for papers” até ao próximo dia 18 de Abril 2011, convidando à apresentação de artigos e recensões no âmbito de um próximo número temático – o seu 12.º – dedicado a “OUTRAS ÁFRICAS: Heterogeneidades, (des)continuidades, expressões locais”.

 

Este 12.º e-caderno procurará assim reunir um conjunto de perspectivas dedicadas às diversas Áfricas que não (apenas) a “lusófona”, considerando incluir uma vertente comparativa relativamente aos Países Africanos de Lingua Oficial Portuguesa (PALOP). Trata-se de um descentramento geográfico programático relativamente à investigação científica no contexto português, de modo a:

 

… “dar visibilidade às heterogeneidades de um continente que o imperialismo do Norte, e a ciência ao seu serviço, ora essencializa como um só – A África –, ora, no período pós-colonial, cartografa ainda de acordo com as respectivas ex-potências colonizadoras, sob a retórica das línguas e culturas “partilhadas” – lusofonia, francofonia, anglofonia –, ora, ainda, aborda epistemologicamente segundo modos, estruturas e categorias de produção e organização do conhecimento do Norte. Frequentemente, estas continuam a representar uma apropriação neo-colonial, em particular quando esta abordagem legitima, entre outros, o discurso político, económico e humanitário, ou os princípios por que se rege o direito internacional ou a ‘ajuda ao desenvolvimento’.

O descentramento relativo à lusofonia deverá ainda provocar outros descentramentos e multiplicações nas perspectivas de reflexão sobre as Áfricas na pós-colonialidade.

Em discussão estará, em primeiro lugar, a percepção / construção / incorporação do continente pelo saber ocidental e pelas narrativas dominantes no Norte, bem como o seccionamento epistemológico prevalecente dos estudos africanos segundo as áreas de influência neo- colonial. Interrogar-se-ão as eventuais distorções essencialistas que estes estudos, assim organizados, possam produzir, propondo alternativas para o pensamento teórico, a investigação empírica e a acção prática, nomeadamente através da análise de dinâmicas locais de resistência e da validade e/ou falência de modos e casos de tradução cultural.”

(tradução em português trazida daqui)

 

Portanto, excelente oportunidade para não apenas criticar mas ir além da tão falada ‘lusofonia’!

 

 

Lúcia Marques

 

 



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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

KILUANJI KIA HENDA em frente ao seu trabalho “Ngola Bar” (2006), na 52.ª Bienal de Veneza, em 2007.

Foto: Christine Eyene

 

 

Com exposições realizadas em importantes iniciativas e espaços de diferentes países nos continentes africano, europeu e americano, Kiluanji Kia Henda (n. 1979, Luanda) é um dos artistas angolanos com maior reconhecimento internacional no panorama artístico da actualidade.

Artista autodidata, tem-se destacado pelo trabalho fotográfico que tem vindo a desenvolver sobre o país onde nasceu e vive, paralelamente à criação de séries relacionadas com outros lugares e contextos, decorrentes das várias residências artísticas em que tem participado. Depois da sua primeira residência artística na I Trienal de Luanda, em 2005, integrou programas de residências como os da galeria ZDB (Lisboa, 2007), espaço Blank Projects (Cidade do Cabo, 2008) e Fondazione di Venezia (Veneza, 2010), participando também na 52.ª Bienal de Veneza (Itália, 2007), na 3.ª Trienal de Guangzhou (China, 2008) e na 29.ª Bienal de São Paulo (Brasil, 2010).

 

Kia Henda realizou a sua primeira exposição invidual em Luanda, na Galeria SOSO (“Estórias e Diligências”, 2009) e um ano depois apresentou, no espaço da SOSO em São Paulo, a nova individual, intitulada “Trans It”, que entretanto desenvolvera em Bordéus (França, exposição “Evento”).

O trabalho “Self-Portrait as a White Man”, desenvolvido entre Veneza e Luanda no âmbito da residência internacional “Art Enclosures”, seguiu logo depois para Itália e deu lugar à sua individual com o mesmo nome na Galleria Fonti (ler artigo aqui).

 

Neste ano de 2011, algumas das suas obras já foram “apanhadas” no meio de uma revolução (exposição “Propaganda by Monuments”, concebida para o CIC no Cairo, Egipto). Outras podem ser vistas, até final desta semana, na Airspace Residency (Nova Iorque, EUA), na mostra “The Days of This Society Are Numbered”, com curadoria de Miguel Amado. E há ainda trabalhos seus a concurso em Lisboa (no CCB-Centro Cultural de Belém), depois da nomeação para o Prémio BES Photo, que na sua 7.ª edição se abriu aos países da CPLP e cujos resultados são divulgados hoje mesmo, dia 12 de Abril…!

 

No CCB, Kia Henda expõe ao lado de Mauro Restiffe (Brasil), Manuela Marques (Portugal), Mário Macilau (Moçambique) e Carlos Lobo (Portugal). Aqui um breve depoimento do artista no âmbito da exposição e aqui uma entrevista elucidativa feita pela Lígia Afonso (assistente curatorial na 29.ª Bienal de São Paulo), publicada no catálogo do BES Photo 2011. Para uma biografia mais detalhada é ir aqui.

 

Vale também a pena ler o artigo que o próprio Kiluanji escreveu em Maio de 2010 sobre “O sonho de Niemeyer e o Universo Paralelo” e ouvi-lo a apresentar os seus projectos na Tate Modern: “Talks & Discussions: After Post-Colonialism: Transnationalism or Essentialism?”.

 

 

Lúcia Marques



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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011


Chama-se Índico.

Fica ali, no sítio dela, naquela bolsinha mesmo à fente dos meus joelhos, entre um saquinho para momentos mais agitados e as derradeiras instruções para casos de emergência.

A Índico está muito diferentes desde a última vez que a vi. Mudou de visual, está mais bonita, mais atraente. E mudou mais que isso, mudou o modo, mudou a "voz" e o "discurso".

Índico é o nome da revista de bordo da companhia aéra moçambicana e, tal como todas as edições do género, tem como objectivo promover o país e os destinos da transportadora. O escritor Nelson Saúte é o director da revista e não está sózinho já que nela colaboram regularmente outros nomes das letras como Ba Ka Kossa ou Mia Couto e também fotógrafos reconhecidos como Funcho ou Rui Assubuji. Deve ser por isso, por a LAM ter entendido  que a indústria ganha em aliar-se aos artistas, aos criadores, e que estes são uma força de trabalho valorosa, que esta "nova" revista, que em Junho faz um ano, transmite Moçambique não só pela sua "geografia" mas também pela sua "demografia" cuidando de mostrar paisagens, como cuida de contar histórias, de revelar as arte e o património. 

Não resisto e trago-a comigo quando saio do avião. Envio páginas soltas em cartas aos amigos e à família e guardo alguns recortes como recordações de viagem. Os próximos números sei que os encontro a bordo ou aqui.

 

 Elisa Santos

 

 

[Fotografia de Ana Rodrigues]



publicado por Próximo Futuro às 13:13
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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