A realizadora peruana Claudia Llosa aborda de forma crítica nesta obra uma época negra da história do seu país. Constituída em 2001, a “Comissão da Verdade e da Reconciliação” (CVR) já registou cerca de 70 mil assassinatos, bem como inúmeras violações, raptos e outros abusos de direitos humanos no período entre 1980 e 2000. Como metáfora da sociedade actual peruana, o filme descreve com mestria a dor de um país, ao lidar com os seus traumas e os seus mortos. A realizadora consegue narrar duas histórias num só filme, mas com um final significativo: acredita na redenção.
La Teta Asustada (Peru, 2009), de Claudia Llosa
Esta terça-feira, 22 de Junho, às 22h
Anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian
Em meados da década de 1990, José Saramago encontrou-se com o seu companheiro mexicano das letras Carlos Monsiváis na defesa da causa zapatista em Chiapas. No último fim-de-semana, o destino voltou a juntar os dois vultos da literatura: faleceram ambos, Saramago, na sexta-feira, Monsiváis, no sábado, igualmente vitimados por doenças que se tinham manifestado anteriormente.
Carlos Monsiváis sucumbiu aos 72 anos, não tendo conseguido recuperar de um fibrose pulmonar que tinha obrigado ao seu internamento, no dia 1 de Abril, no Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán, na Cidade do México.(...)
Programa para dia 22 de Junho, terça-feira:
18h30, Auditório 2
O SILÊNCIO, por José Tolentino de Mendonça
Depois de “Wittgenstein” e de “Padres do Deserto”, depois dos “4 minutos e trinta e três segundos”, de John Cage, e de “Séculos de Prática Conventual”, depois de Susan Sontag e de Dionísio Areopagita, que sabemos sobre o silêncio?
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA nasceu em 1965. Fez o doutoramento em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), com uma tese que aplica uma metodologia de análise literária ao texto bíblico. É, actualmente, professor de Estudos Bíblicos, na Faculdade de Teologia, da mesma Universidade, e desenvolve a sua pesquisa na área do Novo Testamento. Dirige a Revista Didaskalia e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. É poeta e tradutor.
22h, Anfiteatro ao ar livre
LA TETA ASUSTADA, de Claudia Llosa
Peru, 2009, cor, 95’
Filme da realizadora peruana Claudia Llosa (Lima, 1976) cuja história parte do facto da jovem Fausta (Magaly Solier) acreditar na lenda de ser portadora de uma doença rara, chamada "teta asustada", transmitida pelo medo e sofrimento através do leite materno, porque a sua mãe foi estuprada por terroristas num momento muito difícil no Peru, na década de 1980. A partir desta história, a realizadora desenvolve uma narrativa que assenta nos mecanismos ambíguos de distância e de proximidade, que condicionam todo o comportamento da protagonista. Guardar distância para conservar a autonomia, a frágil segurança, os seus recursos como pessoa e como trabalhadora; procurar a proximidade face à comunidade a que pertence, aos ritos populares de identificação, à beleza estonteante da natureza. Um filme de encantatórias imagens e de uma interpretação excelente de Magaly Solier. “La Teta Asustada” ganhou o Urso de Berlim de 2009 e foi seleccionado como candidato ao Óscar de 2010, para Melhor Filme Estrangeiro.
Alexandra Lucas Coelho e António Pinto Ribeiro na apresentação de É Março e é Natal em Ouagadougou, livro de viagens de António Pinto Ribeiro, acabado de editar pela Cotovia. (Foto de Rogério Santos)
"Este viajante é um leitor. Não sei se é possível viajar verdadeiramente sem livros, mas António Pinto Ribeiro viaja com livros e nos livros. Há literalmente fragmentos aqui que não estão situados num lugar, são viagens só através de livros. Mas o que acontece em quase todos os fragmentos é haver um lugar, ou um percurso, e esse lugar ter um livro, ou mais que um, por vezes completamente inesperado.(...)
O viajante é veloz, mas também sabe parar… Pára em canyons e desfiladeiros na África do Sul, e na fila de trânsito da Cidade do México, essa cidade impossível, cidade-prisão de 28 milhões. Mas pára também naquela pequena praça, ao fim da tarde na Cidade do México, onde uma mexicana de cabelo negro e trança atada com uma fita vermelha vende ramos de alcachofras e sorri.(...)
São imagens como esta que nos põem em movimento, um movimento livre, porque são também criadas por nós, não estão numa fotografia nem num ecrã. As imagens dos livros são criações conjuntas, de quem escreve e de quem lê.(...)
Para saberem porque é que é Natal em Março em Ouagadougou têm de chegar lá, à página 33. Só é Natal em Março em Ouagadougou nessa página."
Alexandra Lucas Coelho, in O leitor viajante, texto de apresentação lido na livraria Pó dos Livros, 16 de Junho de 2010.
"O livro descreve cidades da China, da África, da Europa e, claro, o Brasil, país luminoso para o autor. Lê-se: Brasil imenso, Brasília, Rio de sol, na terra dos gaúchos, Inhotim. Para Pinto Ribeiro, o Brasil é o futuro e os brasileiros nascem já criativos (aprenderam connosco durante alguns anos, disse, divertindo-nos). Sobre Portugal, afinal, está descrente. E também da Europa. O mundo hoje faz-se na China, na África, na América latina.
Texto mais sombrio, nas palavras da apresentadora - cidade do México. Cidade ingovernável, disse o autor. Cidade que mais o encantou - Bogotá -, como que desfazendo preconceitos." (Rogério Santos, no blogue Indústrias Culturais)
NEVA, confirma Guillermo Calderón [o encenador], é um texto muito chileno, muito da prodigiosa idade dos porquês que o Chile ainda não deixou para trás, sobre o fracasso das melhores utopias políticas (um texto passado em 1905 que sabe exactamente o que vai acontecer depois de 1917), mas também é um texto muito universal sobre o sentido de fazer (e de ver) teatro enquanto lá fora, na vida verdadeira, se mata e se morre: "Começámos a ensaiar esta peça em 2006, no ano mais difícil da Guerra do Iraque, e tivemos de lidar com esse problema: para quem e para quê fazer teatro quando há tanta violência na rua? O que é que se pode fazer quando lá fora há uma matança política?" Ele [Guillermo Calderón] tem uma maneira de lidar com o problema: "O teatro é a minha maneira de fazer política, uma maneira de ter voz e de ser ouvido. Utilizo o teatro como canal privado de participação." - Entrevista de Guillermo Calderón ao Ípsilon, 18/06/10, p.43
NEVA, da Compañia Teatro en el Blanco, é apresentada este sábado e domingo, às 21h30, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian. Preço: 10 euros.
NEVA (Chile)
Companhia Teatro en el Blanco
Encenador: Guillermo Calderón
Com: Paula Zúñiga, Trinidad González e Jorge Eduardo Becker
Colaboração: Festival Santiago a Mil
Duração: 80’
19 e 20 Junho, Sábado e Domingo, às 21h30
Palco do Grande Auditório
Preço: 10 euros
Baseada em acontecimentos e personagens reais, Neva, de 2008, é uma reflexão crítica e sarcástica sobre o teatro, a representação e as suas limitações, cuja encenação questiona os limites do realismo teatral e o compromisso do artista com os conflitos sociais da sua época.
Esta peça foi a primeira produção da Companhia Teatro en el Blanco e do seu director, o dramaturgo e encenador chileno Guillermo Calderón. Tal como em peças posteriores de Calderón, o texto emprega o distanciamento brechtiano para interpelar os espectadores contemporâneos e estabelece uma equivalência tácita entre o rio Neva de São Petersburgo – manchado de sangue com os corpos dos operários assassinados, em 1905 – e o rio Mapocho de Santiago – onde foram lançadas muitas vítimas da violência política chilena, em 1973. É criada uma atmosfera de espessura dramática em que as personagens protagonizam um duelo verbal, enquanto no exterior se desencadeia uma convulsão social. A encenação apoia-se no desempenho enérgico do elenco e concentra a tensão num pequeno cenário de 4 metros quadrados.
Neva teve grande impacto no Chile, vencendo três prémios Altazor («Melhor Dramaturgia», «Melhor Encenação» e «Melhor Actriz») e o Prémio Círculo de Críticos de Arte. Circulou também por cerca de 20 países, entre os quais a Argentina, Peru, Espanha (Festival de Cádis e Almagro), Brasil, Itália (Milão, Roma, Nápoles, Modena) e Coreia do Sul, alcançando o reconhecimento mundial pela forma como revitaliza o chamado ‘teatro político’.
Próximo Futuro
Entrevista com António Pinto Ribeiro
Os Estados das Artes Visuais (I)
Os Estados das Artes Visuai (II)
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Centros de Investigação
Centro de Estudos Africanos (UP)
Centro de Estudos Anglísticos (UP)
Centro de Estudos Comparatistas (UL)
Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (UCP)
Centro de Estudos de Comunicação e Socidade (UM)
Centro de Estudos Geográficos (UL)
Centro de Estudos Humanísticos (UM)
Instituto de Estudos de Literaturas Tradicionais (UNL)
Ligações
A la recherche des sons perdus
Buala - Cultura Contemporânea Africana
Centro Latinoamericano de creación e investigación teatral
Centre for the Aesthetic Revolution
FLIP - Festa Literária de Paraty
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