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Próximo Futuro

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17
Mai10

Punta Cana, República Dominicana

Próximo Futuro

 

 

Ninguém o faz como os espanhóis

 

Está um frio despropositado para acolher o grupo que acaba de aterrar. Trazem amassadas as roupas de Verão que fazem pendant com o bronzeado conquistado em uma semana ao sol caribeño. Os rostos enrodilhados por oitos horas de avião em voo charter tentam adaptar-se de imediato ao clima e ao fuso diferente em cinco horas. O frio retrai os músculos, a tensão instala-se no rosto. Espera-se a bagagem. Revêem-se em sonolência os dias passados.

 

Há colares, t-shirts, calções, camisas, chapéus de folha de palmeira, toda uma indumentária denunciadora de uma semana de sonho. Na mala viajam charutos, rum, telas, mais colares, esculturas de madeira, restos de areia, shampôs e sabonetes do hotel, e fotografias. Tudo bem acomodado num pack turístico “tudo incluído” onde nada falta.

 

Ninguém o faz como os espanhóis. Ninguém explora o potencial turístico de um lugar como os “nuestros hermanos”. Uma máquina afinadíssima de prestação de serviços que democratiza os requintes de primeira classe, sem esquecer segurança, higiene, sonhos e, naturalmente, lucro.

À saída do aeroporto de Punta Cana esperam-nos autocarros numerados que nos encaminharão para o complexo turístico. As bagagens são levadas por funcionários do complexo, gentis, identificados e confiáveis, que em momento nenhum nos fazem sentir a obrigação da “recompensa”. Chegados ao autocarro, um guia português recebe-nos, acolhe o nosso atraso com simpatia enquanto uma gentil dominicana, muito eficiente, nos coloca uma pulseira colorida no pulso e nos entrega um envelope com todas as informações: Chave do quarto, do cofre, mapa do complexo turístico, informações sobre os programas de actividades. Check-in feito com profissionalismo e simpatia. Em pleno bus. É 1h30 da madrugada no corpo, e 8h30 de uma noite quente e húmida no paraíso turístico da República Dominicana.

 

3.000 quartos, 5 piscinas, 10 restaurantes, 4 recepções, campo de ténis, campo de mini golf, anfiteatro, spa, ginásio, casino, lojas, bares e capela. Uma espécie de mini-bus com forma de carruagens percorre as duas principais avenidas do complexo das 5 à 1 da manhã levando e trazendo os turistas na sua afadigada tarefa de repousar e usufruir de tudo o que está incluído, ou do que ainda pode “anexar” ao pacote adquirido. Aulas de yoga e ginástica na piscina, jantares temáticos que obrigam a traje mais formal, feiras de artesanato, karaoke, jazz, desfile de carnaval, animações com corpo de baile que têm repertório vasto de Michael Jackson a Disco Sound, passando pelo Merengue e pela Bachata, passeios de catamarã, visitas a plantações ou à capital, passeios a cavalo ou de moto quatro, pesca no mar ou snorkeling, massagens relaxantes ou jantares românticos na praia.

 

Esta ponta da Isla Hispaniola tem areias finíssimas brancas, banhadas pelo mar do Caribe e pelo Atlântico. Tem montanhas verdes, luxuriantes, rios abundantes e cascatas, plantações de cana, de cacau, e tudo o que o clima generoso dos trópicos faz crescer.

 

Os turistas vêm do Canadá, dos EUA, de Espanha, Portugal, Itália. São recebidos pelos doces dominicanos que vão distribuindo os seus “hola!” e se esmeram em servir o turista. Não são infelizes, nem resignados. São trabalhadores, a maioria jovens, cumprem horários e tarefas, são atentos, são alegres, divertidos e falam carinhosos. Dançam, estudam, trabalham, rezam, cantam.

 

Nesta ponta da República, na Região Bavaro, não se regista desemprego, o turismo, explorado em mais de 80% por grupos espanhóis, é a principal actividade. O investimento neste sector e nesta parte do país não sofreu com a crise económica. Continuam as construções de novos complexos, com serviços cada vez mais requintados, dirigidos a um ocidente idoso, endinheirado com necessidade de sol e férias depois de anos de corridas incessantes para ganhar dinheiro. Perceber este negócio, executá-lo, ser rápido e eficaz, são os ingredientes para a receita de sucesso que este tipo de turismo constitui.

 

As construções são razoáveis, espaçosas, de custos controlados mas com o mínimo garantido de alusões à sofisticação. Prendem-se os turistas pelo estômago com bares e cozinhas abertos noite fora deixando que se empanturrem com a mediana qualidade e a exagerada quantidade. Os serviços estão integrados, o cliente tem tudo dentro do mesmo espaço para que não se “perca” a procurar. E é fácil comprar mais um programa, mais uma saída, mais uma massagem e ainda mais uma quinquilharia desnecessária, mas absolutamente essencial.

 

Ninguém o faz como os espanhóis! Uma máquina de realizar momentos de sonho, únicos e extravagantes, tornando-os tão acessíveis e rentáveis como a charcutaria gourrmet do El Corte Inglês, os fatos da Zara ou a lingerie da Women Secret.

 

 

Nota: A República Dominicana é um país das Caraíbas que ocupa os dois terços orientais da ilha Hispaniola, que compartilha com o Haiti, sua única fronteira terrestre, a oeste. Possui, ainda, duas fronteiras marítimas: Porto Rico, a leste, e a colónia britânica de Turks e Caicos, a noroeste. A capital é Santo Domingo. A região de Bavaro situa-se na ponta leste da República, sendo Punta Cana a denominação de uma área de empreendimentos turísticos, a mais desenvolvidas do país.

 

Elisa Santos

14
Mai10

O mundo está a mudar

Próximo Futuro

Microfinança na Europa

 

O mundo está a mudar. Sempre esteve mas nunca tão rapidamente como nos últimos anos. À medida que a Índia e China mostram o caminho a países como o Brasil e a Rússia, o centro económico do mundo desloca-se em busca de novo equilíbrio. O crescimento económico nestes países é incrível e que não haja dúvidas – estão a investir em educação.

 

Escrevo estas linhas em Hyderabad, Índia, onde aulas de preparação para o GMAT são anunciadas em painéis publicitários outdoor ou em vulgares táxis. Passo por livrarias de rua e encontro cópias dos grandes êxitos dos gurus de gestão, marketing e estratégia a preço de saldo.

 

O mundo está a mudar.

 

Tudo isto resulta num novo paradigma para a velha Europa em geral e Portugal em particular. Se chamamos a alguns países “emergentes”, será que devemos chamar ao nosso “submergente”?

 

Assistimos a uma desindustrialização em fast-forward, o desemprego bate recordes e o espectro da agitação social paira por perto. Neste contexto de desemprego e urgência económica e social, o apoio a pequenos empreendedores que procurem desenvolver o seu próprio emprego reveste-se de uma importância acrescida. A experiência de países como a França mostra que custa muito menos apoiar um pequeno empreendedor a desenvolver o seu próprio emprego do que pagar subsídios de desemprego.

 

Alguns bancos entenderam esta realidade e estão a tentar superar as dificuldades do passado, implementando, com sucesso e rentabilidade, programas de microcrédito. A rentabilidade irá fazer as operações sustentáveis e só assim replicáveis a uma escala que possa ter real impacto na sociedade.

 

Os resultados serão bons para os bancos e para a sociedade em geral e estudos recentes mostram uma correlação clara e positiva entre o desenvolvimento e maturidade das políticas de responsabilidade social e o desempenho financeiro.

 

Mas o que é a microfinança e o microcrédito?

  

Microfinança é a designação usada para descrever a extensão de serviços financeiros a pessoas excluídas do sistema bancário. Os clientes típicos são pessoas desempregadas e/ou de baixo rendimento e start-ups de microempresas, e os serviços mais comuns são crédito (o chamado microcrédito), seguros e poupanças. Mas a microfinança também pode oferecer, por exemplo, oportunidades de investimento.

 

No que toca ao crédito, os empréstimos são tradicionalmente muito pequenos. “Pequeno”, no entanto tem significados diferentes em diferentes partes do mundo. Na Índia, por exemplo, um pequeno empréstimo ronda os 75€ e pode ir até um máximo de 500€ para clientes antigos com reputação bem firmada. Na União Europeia ou Estados Unidos (sim, o Grameen Bank – Instituição de Microfinança do famoso Muhamad Yunos já tem uma subsidiária em Nova Iorque!) a média é de 5.000€ e pode chegar aos 25.000€.

 

Na Índia, como no modelo Grameen original, a maioria do crédito é concedido a grupos que partilham entre eles o risco individual (o chamado colateral social). Em Portugal, no entanto, quem se tem aventurado na promoção do microcrédito sempre achou que a nossa postura mais individualista não se adaptaria ao colateral social e como tal a aposta tem recaído invariavelmente sobre os empréstimos individuais – muito mais difíceis e demorados de avaliar.

 

Microfinança na Europa e a actual situação económico-social

 

Com a transferência da indústria para o “oriente” assistimos, no “ocidente”, a um acréscimo da importância dos sectores terciário e quaternário. Isto significa o fim do emprego não especializado para todos trazendo assim um crescimento do desemprego.

 

A microfinança está atrasada na Europa onde o emprego estava largamente assegurado desde a revolução industrial. No entanto, com a escalada do desemprego e à medida que os bancos se tornam mais restritivos na atribuição de crédito, é de esperar que aumente o número de pessoas em situações de vulnerabilidade e em risco de exclusão, tornando-se assim a microfinança uma ferramenta cada vez mais importante. Aliás, é com particular interesse que vejo já alguns bancos “tradicionais” a olhar para a microfinança. O tempo se encarregará de mostrar quais são os que têm intenções genuínas e quais os que apenas querem usar uma imagem de bom samaritano. Pessoalmente tenho já as minhas suspeitas, mas não digo!

 

Renato Braz

Consultor em Desenvolvimento Sustentável

12
Mai10

Palavras aladas

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