Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009


Bamako, 9 horas da manhã, o sol já é abrasador. No Museu Nacional Nacional de Bamako prepara-se a abertura da 8ª edição dos Encontros de Fotografia de Bamako, este ano dedicados ao tema "Fronteiras". É um tema absolutamente prioritário no contexto global e, em particular, no mundo africano onde se combina uma história de fronteiras abolidas no período colonial com a tragédia humana de tantos africanos que ultimamente têm tentado passar as fronteiras da Europa, na procura de melhores condições de vida. Anuncia-se que o tema é tratado de forma complexa, diversa, múltipla.
Nas grandes tendas brancas que acolhem cadeirões vermelhos de uma sumptuosidade invulgar para o lugar, abrigam-se do sol as "autoridades locais, os convidados de honra, os artistas (todos os artistas vivos representados na Bienal foram convidados) os amigos e os convidados". O jardim do Museu é relvado, as palmeiras são grandiosas, há um cheiro a rosas no ar e ouve-se a música do Mali interpretada por uma grupo e cantores Malinenses com vozes delicadas e e finos timbres.



publicado por Próximo Futuro às 09:38
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Dois bons artigos, complementares aos obituários de Claude Lévi-Strauss que morreu ontem com 100 anos. Aqui e aqui.


publicado por Próximo Futuro às 15:41
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Para saber mais sobre a entrega do Prémio Goncourt 2009 a Marie NDiaye, aqui.



publicado por Próximo Futuro às 15:19
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[clickar em cima da imagem para melhor leitura]


No dia 13 de Novembro serão apresentadas as seguintes comunicações:

Manhã

- "Alternativas à crise do emprego: desafios à educação e formação e novas formas de regulação” de Ilona Kovács e Margarida Chagas Lopes (SOCIUS/ISEG)
- "Os Estudos Literários no séc. XXI: o passado próximo, a crise e o próximo futuro" de Isabel Fernandes (Centro de Estudos Anglísticos/UL)
- "A crise e o discurso adaptativo dos economistas" de José Luís Cardoso (ICS)
- "Qual crise? As várias frentes da relação entre normalidade e quebra sistémica na contemporaneidade" de João Pina Cabral (ICS)

Tarde

- "Lições das crises económicas de 2008: como gerir uma solução política?" de Miguel Rocha de Sousa (NICPRI/ UM-UE)
- Cultura e Cognição - ou o poder do conhecimento tácito" de Peter Hanenberg (CECC/ UCP)
- "Da impossibilidade de superar a actual crise do capitalismo" de José Maria Carvalho Ferreira (SOCIUS/ ISEG)
- "A crise é a vida normal. A Antropologia face à crise", autoria colectiva (CRIA)

Entrada livre


publicado por Próximo Futuro às 12:51
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Para saber mais sobre cultura brasileira, Instituto Moreira Salles

(recomendação de Isabel Coutinho, in Ípsilon)


publicado por Próximo Futuro às 15:03
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A Bienal de Mercosul decorre até 29 de Novembro na cidade de Belo Horizonte e esta é uma das suas melhores edições. Distribuídas as obras dos mais dos trezentos artistas convidados pelos dois museus principais da cidade e pelos armazéns junto ao rio, a Bienal é vocacionada para a apresentação das obras de artistas sul-americanos, mas não só. O tema da edição deste ano é "Grito e Escuta".

No Museu de Arte Moderna pode ver-se a excelente exposição “Desenho das Ideias”, montagem dividida em dois andares e apresentando uma diversidade de estilos, de propósitos do desenho e de suportes. Impressiona o desenho na parede de Iran Espírito Santo, a parede com os desenhos de Delcy Morelos e de Anna Maria Maiolino, os desenhos sobre o êxodo chinês provocado pela construção da barragem das três gargantas de Yun-Fei Ji (um dos artistas presente na exposição Atlas de Acontecimentos durante o fórum cultural Estado do Mundo), as obras sonoras activistas e poéticas de Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Fabio Kacero e Décio Pignatari.


Yun-Fei Ji, The Owl

Nos armazéns as obras estão organizadas a partir de vários temas como o Absurdo, Árvore Magnética, Biografias Colectivas, Ficções do Invisível, etc.. De todas as secções merece-me destacar “Ficções do Invisível” cuja curadora é Victoria Noorthoorn. A secção apresenta-se como “uma exposição que reúne artistas que colocam em cena sua própria relação com o processo artístico e, ao se exporem, expõem cruamente aqueles aspectos da produção artística que habitualmente ficam apagados ou sublimados na obra terminada: o questionamento interno, a estrutura dos processos, a economia de meios, o rompimento da função, a relação entre obra e vida privada, as vicissitudes a que o artista deve se submeter enquanto sujeito social atravessado por determinações de idade, gênero, raça, religião, tradições, linguagens...
Muitas vezes isto compreende um despojamento da linguagem artística e um desvelamento de suas estratégias retóricas. O artista desenvolve uma linguagem não mais pura, se não simplesmente mais direta e mais pobre (citando o escritor irlandês Samuel Becktett, ‘Me pus a escrever em francês com o desejo de me empobrecer ainda mais. Esse foi o verdadeiro motivo’) renunciando ao capital técnico e simbólico que a tradição acumulou em seu aparente benefício. Empenha-se em desaprender o aprendido, em regressar a essa obscuridade que foi seu ponto de partida e meio inicial. Os artistas incluídos nesta exposição dão conta deste processo partindo de um extremo ascetismo, da confrontação direta e da exposição brutal da condição social do artista. Se a arte é uma representação, estes artistas colocam em cena o que está por trás da cena. Se a arte é uma máquina, arrancam a couraça e nos mostram as suas engrenagens. Se é um corpo, expõem os músculos e os órgãos.


Do conjunto das obras, todas elas absolutamente pertinentes e onde o corpo, o som e a palavra têm uma presença rara e excelente, são particularmente perturbantes pela sua grandeza: "Breath", uma peça de Samuel Beckett com 40 segundos de duração, aqui encenada por Daniela Thomas, “O Samba do crioulo doido” que trata da resistência do corpo da autoria de Luiz de Abreu ou o registo em vídeo da peça de Jerôme Bell sobre a bailarina em palco Véronique Doisneau, uma actualização cénica da vida do artista como trabalhador.

A Bienal do Mercosul é uma prova de que o Próximo Futuro passa por ali.


publicado por Próximo Futuro às 09:33
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sobre
Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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