Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

  

 

Angola tem "chineses".

 

Tem muitos chineses, vietenamitas, coreanos... Homens amarelos que entretanto se amorenaram, que têm olhos rasgados e hábitos diversos e que se instalaram por todo o lado. Angola tem "chineses" que  fazem a estrada, conduzem camiões, têm lojas, constroem casas, hóteis, fábricas, aeroportos, exploram pedreiras; são engenheiros, médicos, arquitectos, electricistas, negociadores.

Angola tem as mulheres dos "chineses" que se escondem nas casas e nas lojas, que vendem gelo, iogurte, fotografias e quinquilharias, e que deambulam como sombras esquivas pelos mercados e pelas ruas.

Angola tem chapeús de palha de aba larga, a fazer lembrar campos infinitos de arroz, espalhados em cabeças negras de africanos,tem calças de ganga de cinta descida e camisolas de manga à cava em corpos orientais, homens acocorados que conversam e fumam, letras como desenhos pintadas em pedras marcando a passagem por ali, ortografias novas, ortografias baralhadas.

Angola não tem bebés chineses. Angola tem tudo misturado, mas a mestiçagem ainda não tem traços de oriente.

 

 



publicado por Próximo Futuro às 06:14
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