Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
 
 
 

Ya que el poeta chileno Nicanor Parra no puede venir hoy, 23 de abril, a recibir su Premio Cervantes a la Universidad Alcalá de Henares, en Madrid, los invito a rendirile un homenaje enviando antipoemas al ciberespacio. Poemas "a la manera parriana", es decir que ven la vida de frente y desde su envés, con ironía o sarcasmo o ternura o sátira pero siempre desde la esquina del humor que desvela la verdad.

 

El pie de esta iniciativa lo han dado hoy ocho poetas hispanohablantes, en la edición impresa de EL PAÍS. Ahora es el turno nuestro, de los lectores.

 

A continuación reproduzco el texto de presentación que he publicado hoy en la edición impresa EL PAÍS y el enlace donde puedes leer los ocho poemas.

 

 

 

 

 

Continuar a ler no El País.


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Quinta-feira, 29 de Março de 2012




En la aduana me preguntan
De qué país soy ciudadano.
Cuando la Catrina toca su pífano de hueso
Y remienda sueños olvidados, soy mexicano.
Si al abrir y cerrar un bandoneón se despliega la calle
Y un gato recorre las cornisas del barrio,
Mi ángel de la guarda habla en lunfardo.
Si la tristeza se riega en mi cuarto,
Envalleja mi pan y mi artesa, mi plato y mi cuchara,
Soy el huayno que acompaña al hombre solitario,
Un hombre llegado de la Puna.
Veo el fantasma de Teillier y soy agua de Chile,
Compatriota de cielos y naufragios.
Si el silencio se desliza en un bote de totora,
Si las nubes mascan coca para subir a su altura
soy boliviano.



Cuando suena una orquesta en la percusión del pecho
Lleva un sonido de trenes al túnel de la noche,
Soy de Santiago o La Habana, un lajero que regresa
A golpear con su bastón los tinglados del alba.
Si un potro recorre la llanura (si el viejo Simón Díaz
Trae un sombrero de oro, un color de araguaney),
Mi agua bautismal es Venezuela.
¿Sabe usted, impaciente aduanero,
Dónde queda Uruguay?, Queda en otro monte,
En otro mundo fabulado por un Conde sin reino.
Soy uruguayo al visitar el eco de sus cantos.
El viento trae semillas de lejanía,
Teje y desteje trenzas y nubes
Y un concilio de sombras oficia las distancias:
Soy correo de Chasquis,
Un incierto corresponsal de Gangotena.
Siempre que camino las florestas del lenguaje
Vuelvo a Darío y soy de un país
Que compone sonatinas tocadas por el mar.
Cuando intento reconciliarme con la muerte,
Soy compatriota de Barret, con él me hago oriundo
de Paraguay.



Entro a un mapa oculto en las manos de Cardoza,
En sus líneas soy vendedor de espigas y máiz
En la Antigua Guatemala.
Soy brasilero en Pernambuco, me apellido Bandeira
Y prefiero "el lirismo de los locos",
Los ojos de una muchacha envejecen sin remedio.
A veces soy colombiano, cuando en Ciénaga de Oro
Suenan los bombardinos
O un poeta pinta el verde de todos los colores.
¿Me entenderán en la aduana
Si les digo que soy del lugar donde te encuentres?
 
 
 

Juan Manuel Roca

(Medellín, Colômbia, 1946)

Poeta, ensaísta, jornalista.



publicado por Próximo Futuro às 14:00
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Prosa & Verso, O Globo, 25.02.2012

 

Fur

 

 

                                                 com cara de Whitman

foi assim que você pensou que eu viria ao mundo

foi assim que que você me viu na floresta

foi assim que você me viu pendurado no poste elétrico

sempre pendurado num ramo qualquer, sempre usando

o verão.

você se lembra daquele verão no Brooklin

em que ficámos perseguindo os bombeiros

durante todo o dia apenas para ver

uma vez e depois outra vez

o leque aquático que se abria sobre o fogo?

você citava poetas húngaros mas nesse tempo

eu só queria saber de inventar uma língua

que não existisse.

você se lembra do concierge que nos recebia

na pensão do Brooklin como se nunca

nos houvesse visto antes?

e não havia semana que passasse

em que nós não dormíssemos

pelo menos uma madrugada

na pensão do Brooklin.

me lembro dos dólares amassados

que eu semanalmente tirava do bolso

para pagar a Doug

eu sabia o nome de Doug

o Doug nos tratava disfarçadamente

por menina e menino.

você falava que os dólares vinham

sempre com uma forma diferente

eu adoro como você consegue tirar um coelho do bolso

eu adoro como você consegue tirar uma lâmpada do bolso

eu adoro como você consegue tirar a Beretta 92fs do bolso

 

foi assim que você pensou que eu ficaria

no mundo

com corpo de besta vestida

usando um lápis pousado na orelha

 

foi assim que você me viu

pedindo três ovos para Miss Elsie

a senhora da mercearia na Court Street

ela me deu oito ovos

porque ela sempre dava alguma coisa

ela me achava uma graça e ela não acreditava

em números ímpares. eu também não.

me lembro de você na mercearia

do Brooklyn

você costumava ficar lá atrás

brincando na secção das ferramentas.

se eu tivesse mais do que um coelho,

uma lâmpada ou uma pistola

eu teria te comprado um Black n' Decker

eu acho que você seria a pessoa mais feliz da ilha

com um Black n’ Decker enfiado no cinto.

 

foi assim que você pensou que eu ficaria no mundo,

usando flores em meu cabelo negro,

sempre escondidas no emaranhado dos cachos

sempre escondidas no emaranhado do caos

de minha cabeça negra.

 

só você sabia quantas flores eu usava

porque agora eu já sei

que você dedicava as noites

à contagem. Deus não dorme

e você também não. 

 

 

 

Matilde Campilho

 

 

Matilde Campilho nasceu em Lisboa em 1982. Morou em Madrid, Milão, Florença e Moçambique. Mora no Rio de Janeiro, onde escreve.



publicado por Próximo Futuro às 10:27
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

 

 

 

O sono é minha areia

piso nele. É feito feno

engulo ele. É meu planeta

moro nele desde ontem.

 

Maré que morde esse novelo

que era um homem, nylon

preso pela franja, nylon

verde, musguenta.

 

Sem risada

coisas acordadas

dizem seu nome.

Depois somem.

 

 

Nuno Ramos (1960)

in Junco, ed. Iluminuras, São Paulo, 2011

 

 

Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta, videomaker. Formado em filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, de 1978 a 1982. Trabalha como editor das revistas Almanaque 80 e Kataloki, entre 1980 e 1981. Começa a pintar em 1983, quando funda o atelier Casa 7, com Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade, Carlito Carvalhosa e Fábio Miquez. No ano seguinte, recebe do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas. Em 1992, em Porto Alegre, expõe pela primeira vez a instalação 111, que se refere ao massacre dos presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) ocorrido naquele ano. Publica, em 1993, o livro em prosa Cujo e, em 1995, o livro-objeto Balada. Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Em 2002, publica o livro de contos O Pão do Corvo. Para compor as suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.

Vencedor do  Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2009, pelo seu primeiro romance, Ó.

 

 

 

 

Para ler entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Nuno Ramos, clicar aqui.



publicado por Próximo Futuro às 19:12
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

37 directors of poetry organisations, created the

"world poetry movement" and published a manifesto

 

 

874 poetry readings in 540 cities of 107 countries

 

874 poetry readings in 540 cities of 107 countries will be held this 24th of September, convoked by the organizations 100,000 Poets for Change (http://www.bigbridge.org/100thousandpoetsforchange/) and World Poetry Movement -WPM- (http://www.wpm2011.org/), on a day marked by a spirit which desires that a new time will open for humankind. The World Poetry Movement (WPM) was founded in Medellín (Colombia) on July 9, 2011, and in less than two months in existence it has achieved the incorporation and participation of 105 international poetry festivals, 76 international poetry organizations, and 673 poets from 124 nations.

(...)

This is not just about assessing the great number of poetry readings, performances and poetry interventions, both urban and rural, that are being prepared throughout the world’s continents for this date, but, above all, about celebrating the deep symbolism embodied in this new world poetry action, where essential forces come together and which has an impact on the heart of the human history – a history that seems still to go against the grain of life itself.

(...)

In Africa, 55 poetry readings will be held in capitals and other cities in 18 countries. 100 poetry events will be held in 19 Asian countries. 210 poetry interventions are scheduled to take place in 38 European countries. Oceania will have just 12 poetry readings – in Australia and New Zealand. The American continent will hold the highest number of poetry readings on the 24th of September next, with 453 events confirmed in 27 countries. Many of these events will additionally host poetry workshops and concerts.

 

Há mais para ler aqui.



publicado por Próximo Futuro às 09:00
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

(foto de Ozias Filho)

 

 

Esta autora é romena mas vive em Portugal há 10 anos e escreve em português. Escreveu um livro intitulado Vim porque me pagavam. Chama-se Golgona Anghel e é um abismo.

A ler, mas só os mais afoitos.

António Pinto Ribeiro

 

 

Porque falta meia hora antes de

tomar o comprimido para dormir,

porque mesmo depois de tanto tempo

fazes de mi o filho com síndroma de Down

de Arthur Miller,

porque escrever não é só abrir cabeças

com o bisturi de Lacan,

e porque um poema não é a Isabella Rossellini

a chorar todos os sábados à noite,

nem o casal encontrado abraçado

na paralisia bucal do Vesúvio.

Porque a poesia não é a ponte Mirabeau

num cartaz de néon da adolescência,

porque hoje, quando ligaste,

era apenas porque te tinhas enganado no número,

porque estou cansado, voilà,

e não consigo evitar a noite,

penso agora em ti, Juliana,

heroína no sentido naturalista do termo,

penso sobretudo no teu arzinho

de provocação e de ataque.

 

Podias ter sido a Maria Eduarda

do cinema norte-americano,

a rapariga que ajudou a pôr fim à guerra em Vietname,

a Frida Kahlo e o Kofi Annan,

a estátua de Notre Dame.

 

O teu sentido reformista,

o teu olhar de Eça socialista,

cá está,

tinhas cabeças para embaixadora da boa vontade,

pés para andar nos corredores da ONU,

o feitio da botina, a mania, a despesa.

 

Mas continuas a dormir no teu cacifo húmido,

de cara para a parede

enquanto 20 repúblicas foram perpetuando

campanhas eleitorais e golpes de estado

nos jornais com os quais limpas os vidros da cozinha.

 

Coitada, coitadinha, coitadíssima,

permaneces na sala, um pouco pálida e fraca,

mas restituída aos deveres domésticos e aos prazeres da sociedade!

 

O feitio da botina, a mania, a despesa,

o cheiro a terebintina,

Ó Juliana Couceiro Tavira, per omnia saecula,

chega paracá a garrafa e o cinzeiro;

temos assuntos por tratar e meia hora de créditos.

 

Golgona Anghel

in Vim Porque Me Pagavam (Lisboa: Mariposa Azul, 2011)

 

 



publicado por Próximo Futuro às 09:30
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

 

O Festival Internacional de Poesía de Medellín, na Colômbia, já completou o seu 21.º aniversário com a concretização de mais uma edição. Mas esta foi a primeira vez que integrou a Red Nuestra América de Festivales Internacionales de Poesía, adotando uma nova versão que incluiu uma homenagem ao "Espírito da Origem", associado à poesia africana.

De 2 a 9 de Julho de 2011, este reputado Festival voltou a reunir poetas oriundos da América do Sul mas também de outros continentes, para além de directores de Festivais congéneres, entre muitas mais actividades relacionadas com o ensino, escrita e difusão da Poesia. Participaram mais de 90 poetas de 50 nações de todos os continentes, destacando também neste ano a realização da 15.ª Escola de Poesia de Medellín e de um ciclo de cinema africano composto por 7 longas-metragens produzidas no Senegal, Mali, Burkina Faso e República Democrática do Congo. 

 

Aqui é possível conhecer detalhadamente o programa da 21.ª edição do Festival Internacional de Poesía de Medellín e aqui a sua já longa história, desde a sua origem em 1991.

 



publicado por Próximo Futuro às 09:00
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

Mais um poema de Breyten Breytenbach

 

AMEAÇA DOS DOENTES

(para B. Breytenbach)

 

 

 

Senhoras e Senhores, permitam-me que vos apresente Breyten

Breytenbach

este homem magro de camisola verde; é devoto

e comprime e martela a cabeça oblonga

no intuito de vos fazer um poema    exemplo:

tenho medo de fechar os olhos

não quero viver no escuro a ver o que se passa

os hospitais de Paris estão cheios de homens lívidos

especados à janela fazem gestos ameaçadores

como anjos no forno

e a chuva escorcha e engordura as ruas

 

tenho os olhos pegados

eles/vós me enterrareis em dia húmido

quando a terra se torna em negra carne crua

e as folhas e as flores maceradas coloram de rugas de água o

            sangue branco do ar

antes que a luz roa tudo

mas eu recuso prisão para os meus olhos

colhei as minhas asas ossudas

a boca é demasiado secreta para não sentir a dor

calçai botas para o meu enterro quero

ouvir a lama amassar-vos os pés

os rouxinóis agitam a cabeça molhada, reluzentes flores negras,

as árvores verdes são monges resmungões

 

plantai-me numa colina, junto a um pego onde haja bocas-de-

            -lobo

deixem que patos velhos e sabidos cubram de luto o meu túmu-

            lo

à chuva

almas de mulheres tresloucadas mas sagazes são possuídas por

gatos

medo medo medo em saturadas descoloridas cabeças

e não quero que embalem (que consolem) a minha língua ne-

            gra.

 

Vistes como é inofensivo, hajam caridade com ele.

 

trad. de Mário Cesariny



publicado por Próximo Futuro às 11:37
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

água-forte

 

À beira de você, toda a paisagem

se resume a isto: nenhuma urgência

 

que seu rosto brilhe, mas ele arde

como se quisesse compensar em luz

 

o seu silêncio. Gastaria a vida assim,

à orla do céu que reflecte

 

na água quieta que rola no intervalo

entre nós. Demoro-me aqui,

 

à roda desse engano,

dessa infinitamente triste alegria.

 

E quanto mais me sinto afogar,

mais permaneço,

 

se o amador a nadar para fora

prefere morrer na coisa amada.

 

In, Cinemateca, Cia das Letras



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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

 

e uma corvina

vomita o mar

no prato do pescador

 

e um afogado

espeta os pulmões

na garganta do marinheiro

 

fomos ao mar

pescar corvinas

e trazemos entre dedos

a água

cheia de rios

(Poema retirado de Minarete de Medos e Outros Poemas, Indico, 2009)

 

 

Mbate Pedro, nasceu na Cidade de Maputo, capital de Moçambique. Desde muito cedo interessou-se pela literatura, tendo, no entanto, iniciado o seu percurso na década de 90. Participou em vários movimentos literários surgidos na cidade de Maputo. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos e da União Mundial dos Escritores Médicos. Colabora na revista brasileira de literaturas africanas Sarará. Publicou "O Mel Amargo" (2006) e "Minarete de Medos e Outros Poemas" (2009). É licenciado em Medicina pela Universidade Eduardo Mondlane.



publicado por Próximo Futuro às 12:12
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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