Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

 

 

“Qué hermosa cassette de Etiopía... Tiene un efecto en mi cuerpo semejante al de la morfina. Es tan balsámico que voy a echarme una siestita ahora mismo. No tengo más que decir, simplemente escuchad esto y sentiros bien hoy. Hablamos luego. Love, Brian”. Quien firma estas líneas se llama Brian Shimkovitz y es uno de esos seres que han sido capaces de realizar esa dificilísima tarea de encontrar uno de esos nichos que no existían en la red, llenarlo y conseguir que se convierta en cierto modo en crucial.

 

El señor Shimkovitz reside en Nueva York, pero su aportación al mundo de la cultura y de la música en general procede en su totalidad de África. Cuenta que mientras investigaba en la escena musical local de Ghana con una beca Fulbright, descubrió el mercado regional de cassettes que se desarrollaba en las calles de varios países de África. Fue entonces cuando surgió el germen de una búsqueda eterna y extraña de unas de las músicas más desconocidas y tal vez despreciadas por el mainstream de occidente. De esta forma en 2006 puso en marcha un blog al que llamó Awesome Tapes From Africa (Increíbles cassettes de África) en el que no solo habla y comparte información sobre su música favorita, también ofrece los archivos para bajar.

 

Para ler mais, é só seguir até aqui e aqui.

 

 

 



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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

 

(Versão brasileira de Marcos Bagno, 2011)

 

 

É a última obra de V.S. Naipaul, o Nobel da literatura nascido nas ilhas de Trinidad, e é um livro de viagens a seis países africanos. Começa pelo Uganda, onde o autor esteve uma primeira vez em 1966, e depois descreve em narrativas autónomas a Nigéria, o Gana, a Costa do Marfim, o Gabão e acaba em Joanesburgo.

As descrições dos países não têm continuidade de uns para outros, salvo situações muito pontuais, e isso introduz desde logo a ideia da diversidade dos países e a negação da África como um continente homogéneo. O livro que o acaso fez com que fosse lido numa recentíssima tradução brasileira tem muitas qualidades que decorrem naturalmente do talento do escritor mas sobretudo por este assumir um ponto de vista crítico sem nenhuma complacência ou relativismo cultural face aos países e situações que encontra e descreve. Os outros aspectos particularmente fascinantes decorrem do facto do autor, que conhece profundamente a história pré-colonial destes países, nos relatar com pormenores a genealogia de muitos destes reinos, costumes, tradições, línguas e, sem nunca assumir uma descrição neutral, nos dar uma visão a partir deste olhar “interior” sobre estas realidades.

De um modo ou de outro perpassa em todas as narrativas uma reflexão e um questionar subtil das consequências das independências nestes países e mesmo o fim do apartheid na África do Sul inquestionavelmente exaltado lhe merece várias perguntas sobre o legado negativo que o mesmo provocou na sociedade sul-africana de hoje: “Nas palavras do extraordinário escritor sul-africano Rian Malan (nascido em 1954) – buscando sempre sem retórica ou falsidade e, de modo quase religioso, uma explicação para o sofrimento racial do seu país –, os brancos construíram uma base lunar para a sua civilização; quando ela desmoronou, não havia nada ali para os negros ou brancos” (pág. 246). E mais adiante há um tabu que o interpela: “Mas um pouco como Fatima (nome de uma personagem) em busca de sua identidade, eu me senti encurralado na África do Sul, e vi que aqui raça era tudo e um pouco mais; que a raça mergulha tão fundo quanto a religião em outros lugares” (pág. 253).

Finalmente, seja no Uganda, na Nigéria ou na África do Sul, há páginas dedicadas aos ‘horrores’ que são as descrições de práticas de feitiçaria, bazares inteiros de pedaços de corpos de animais vendidos como amuletos de protecções ou ritos de sacrifício, que muitos africanos reclamam como práticas identitárias e que Naipaul não tolera e denuncia não admitindo a este propósito qualquer relativismo cultural.

 

António Pinto Ribeiro

 

 



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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

"EL ANATSUI at The Armory Show"

 

 

A gallerist at the Armory Art Show recently asked me what it was like to work with artists from developing regions of the world. I didn’t mind this question, but he did it while staring down at me with a look of pity, which felt like a condescending pat on the head. It may have been his healthy 6 foot height that made me feel that way, or it could have been his (mis)assumption of what it means to make art in regions considered “less established” than their North American or European counterparts. Either way, I surmise he was suggesting I had chosen the short straw.

Ironically, we were standing in front of a vast and elaborately interwoven tapestry made entirely of found bottle tops by world-renowned Ghanaian artist El Anatsui. Amongst the likes of William Kentridge and Marlene Dumas, El Anatsui is arguably one of the most prolific contemporary artists to come out of Africa.  This made me smile—which soon turned to a full-fledged grin when I glanced over at its $500,000-plus price tag.  There is something beautifully ironic about an artist who creates a work using found objects that, in essence, cost nothing, and then through ingenuity and the right positioning is able to enter the higher echelons of the global art market and find legitimization. This may sound vindictive, but I would prefer to think this admiration advocates that the resourcefulness and creativity of such an artwork is just inexplicably worthy.

 

Para continuar a ler "Art from the Developing World: Differently Indifferent", de Claire Breukel, basta clicar aqui.



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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Orbis Terrae, in "Atlas sive Cosmographicae" (1595), Gerard Mercator 

 

 

Últimos dias para espreitar a exposição "Rediscovering African Geographies" na Royal Geographical Society em Londres!

 

From the great African Kings and Empires from 3000BC to the complex trade networks and migration of Africans within the continent and across the world, the Society's new Rediscovering African Geographies exhibition uses maps, photographs and literature from our Collections to travel through Africa’s history.

Rediscovering African Geographies shows, from an African perspective, how culture, international relations, language and conflict have shaped the geography we know today. It reveals often neglected stories and how these records of African societies, cultures and landscapes helped shape and inform European views of this continent and its people.

The exhibition, which runs from 22 March 2011 to 28 April 2011, has been created with African community partners representing the Congo, Ghana, Nigeria, Namibia, Zimbabwe, Sierra Leone and South Africa. It's free to visit and will be held at the Society premises, Monday to Friday 10am to 5pm.

The exhibition features Africans such as James Chuma, Abdullah Susi and Sidi Mubarak Bombay who made important contributions to the Victorian expeditions undertaken by David Livingstone and others that were supported by the Society.

 

Tudo o que é preciso saber aqui e um óptimo audio-slideshow da BBC aqui.

 

 

Lúcia Marques



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Segunda-feira, 8 de Março de 2010
The late Ghanaian photographer, J.K. Bruce Vanderpuije set up his Deo Gratias Studio in 1922 and made good portraits of the nobility of Accra. He recorded its pristine beaches and important colonial edifices such as the Post Office, High Court buildings, social gatherings and so forth. From the 1950s and decade of Ghana’s independence from British colonial rule, Accra has had it’s ups and downs. A thriving cosmopolitan centre, it boasted of Indian and Ghanaian companies such as Bhojsons & Co (Gold Coast) Ltd., with branches in Onitsha, Lagos, Jos, Kano Port Harcourt, Ibadan and Warri – and beyond - Manchester, Madras, Osaka and in Hong Kong. Or, take Tarzan Transport (Ghana & Nigeria) that offered annual services to Mecca, stopping at Sudan (El Obeid). With the supermarket ‘Lilarams’, ‘all your shopping problems can be solved.’ A local décor firm, Kumi (1952) Ltd., dealt in tableware and furnishings.


The Savoy at Osu, Caprice at Alajo, were hotels from the 1950’s, decorated by Yemo Kwei Anang with portraits of Ga King Nii Tackie Komey II and celebrities like Louis Armstrong. In 1957, Kofi Antubam and his students from Achimota School painted murals on nationalism at the Ambassador Hotel near the Ridge. Today, private art galleries are conspicuous landmarks in Accra. Around Asylum Down is the ‘Step-in-Gallery’ owned by artist, Nicolas Kowalski. Ablade Glover’s Artists Alliance Gallery is a magnificent location by the ocean front in Labadi, coupled with the Foundation for Contemporary Art (Ghana) and Nubuke Foundation (located in East Legon) are beginning to turn the city into an art capital. This dream is taking shape through the recent Accra Art Auction, ‘Accra-Can’ art initiatives and the well established ‘Environmental Film Festival of Accra. Nevertheless, this may not be realised on the same scale as Kumasi, Ghana’s second city, which is a cultural city with over a hundred Art & Sign street painting studios. In Accra and Kumasi, city authorities have repeatedly cleared them away. Surprising aspects of the city, near the Kwame Nkrumah Circle, are the installations of shoes, bags, and so on, found on pavements. (See photo).


For many people in positions of power, their concept of modernity is a Western one rather than recognising and understanding, and utilising the local bottom-up dynamics of the city. This is a resource of modernity. The kiosks that crowded the sidewalks gave the city character, its African personality and were removed by the Accra Metropolitan Assembly when they ‘cleaned-up’ overnight forcing many painters to relocate.

The street arrangements actually embody the city’s natural architecture so the way people put kiosks together is part of their language; it becomes clear that they are being forced to become something else. This is a resource of modernity. The landscape is as much a part of the heritage of Ghanaians that ought to be preserved for future generations instead of being desecrated by plastic bags, filth and squalor. Artist, Enoch Tei Huagie’s efforts to recycle the ‘pure water’ plastics into fashion (bags and clothes) is indeed laudable.


Text & photos by Atta Kwami, March 4, 2010, Washington, D.C.


publicado por Próximo Futuro às 18:46
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Quinta-feira, 4 de Março de 2010
“Akwaaba!” (bem-vindo) e um gentil abraço de um povo dócil ergue-se com hospitalidade.



Bantama road... Por entre árvores e trânsito frenético, vou descobrindo um centro com uma arquitectura semi-desfigurada, cujas ruas estão cravadas de comércio. Tudo se vende, tudo se compra, tudo se faz.

Já no famoso mercado central que ocupa o coração da cidade, ressaltam-me os cheiros, os sons e as encruzilhadas de multidões que marcam um ritmo próprio, impossível de descrever. Sinto-me em ebulição no epicentro de uma cidade com cerca de 1 milhão de habitantes, num país maioritariamente cristão, mas com uma forte presença muçulmana a juntar-se a outras religiões nativas.

É imprescindível parar num chop bar para saborear a comida nacional. Peço um fufu com Palmnut soup e desfruto de um deleite com outras tantas iguarias. Sou conquistado por uma cidade de sabores, onde centenas de ingredientes locais são conjugados e apensados em receitas que se comem com as mãos.

Kumasi rodeia-se de populações que fabricam tecidos e, ainda, de outras que neles carimbam padrões com os símbolos ancestrais da cultura Adinkra.

No coração do Ghana, esta é a Cidade Nacional da Cultura e coloca-se numa posição que cultiva, com marketing, as raízes culturais do reino Ashanti. O rei, por sua vez, aparece nos outdoors da cidade, anunciando a presença que os seus cidadãos reclamam.

Esqueço tudo, envolvo-me numa vegetação exuberante e deambulo numa Kumasi que se clama Cidade Jardim.

Jorge Rocha


publicado por Próximo Futuro às 06:25
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sobre
Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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