Terça-feira, 2 de Março de 2010
Que escrever quando se visita uma cidade pela primeira vez? As impressões iniciais tornam-se dúbias com o passar do tempo. É preciso regressar e confirmar o que se viu e sentiu. Antananarivo, ou simplesmente Tana, capital de Madagáscar, tem essa característica.


Casas feitas de barro e enormes varandas em madeira com telhados em telha, construidas nos montes que circundam a parte baixa, velhos 2CV em serviço de táxi fumegando pelas ruas estreitas abarrotadas de gente constroem a cidade onde a mendicidade predomina, de forma quase cultural, semelhante à Índia, com famílias inteiras habitando nas ruas, debaixo das arcadas que fazem da Avenida da Independência o seu um lugar de eleição. Aproximadamente quatro milhões de pessoas habitam Antananarivo, quase 1 milhão no centro da capital.

Tana tem ainda mais, tem uma mestiçagem Indonésia, Índia, Francesa, Chinesa e Africana que tem paralelo apenas na sua diversificada fauna e flora, tem avenidas repletas de frondosos jacarandás que na Primavera exalam um agradável perfume.

A área que hoje é conhecida por Antananarivo, era originalmente conhecida por Analamanga (floresta azul), ocupada pelo rei Andrianjaka por volta de 1610, tendo aqui construído o seu Rova (Palácio), no monte mais alto da cidade, fundando assim a dinastia Merina.



Os Franceses deram ao centro da vila a sua presente forma, construindo duas longas escadas que vão da cidade baixa (Basse-ville), centro da cidade e zona comercial que parte da estação de comboio (de arquitectura colonial e com uma excelente atmosfera para after hours) em direcção ao Hotel Le Glacier. Aqui encontramos o principal mercado, Analakely, e daqui seguimos para a calma zona residencial da cidade alta (Haute-ville), onde estradas estreitas nos encaminham ao cimo do monte, passando por várias igrejas (católicas e protestantes), rumo ao Rova. Descendo a outra encosta do monte chegamos ao Lac Anosy (Lago Anosy).

Rajoalina, presidente Malgaxe, anterior Mayor e Dj de Tana, assumiu o poder num golpe de estado que teve forte apoio da população urbana e dos militares, mas levando a que o pais sofre varias sanções económicas em 2009 e já este ano. Estas medidas deixaram já milhares de malagaxes sem emprego, pelo fecho das fábricas de vestuário e outras multinacionais que se haviam estabelecido na cidade, fruto da politica de zona franca adoptada pelo anterior governo.

Atravessando uma enorme crise política, sem reconhecimento da comunidade internacional, contando apenas com o apoio da França, a anarquia reina na cidade.

A moeda malgaxe (Ariary) sofreu uma enorme depreciação face ao dólar americano (US$1 = Ar2,000), empobrecendo ainda mais a população.

Ponto de entrada e saída para os turistas que visitam o país, Tana oferece diverso tipo de acomodação, dependendo do bolso do viajante. Ao cair da noite, as suas ruelas ficam repletas de meninas que fazem daquele destino um dos pontos predilectos de velhos senhores, que em busca de prazeres perdidos descem ao sul do globo, tornando-se numa considerável fonte de rendimento de muitas famílias.

Tana interfere, perturba. Deixa-nos espantados. De olhos arregalados, como o Maki, inevitável símbolo da Ilha e da cidade.

  
Inusso Jamal
Psicólogo educacional

Fotografias de Inusso Jamal


publicado por Próximo Futuro às 17:43
link do post | comentar | partilhar

sobre
Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
This text will be replaced by the flash music player.
posts recentes
links
arquivos
tags
subscrever