Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

 

Little Lucia inspira-se em contos de fadas da sua infância

 
 
"Criadores colombianos desfilaram as colecções Primavera/ Verão na maior feira de moda da Colômbia"
 
Lançar o debate e a reflexão para uma consciência ética e ecológica e promover um desenvolvimento sustentável da indústria têxtil é o mote para a edição deste ano da Colombiamoda. Na sua 22.ª edição, este é um dos maiores eventos de moda da América Latina. De 26 a 28 de Julho, a cidade Modellin recebeu os mais importantes estilistas colombianos, que apresentaram as suas colecções Primavera/Verão para 2012. Como nomes da moda internacionais, destacaram-se as presenças dos estilistas Akihito Hira, do Japão, e a dupla italiana Leitmotiv (Juan Caro e Fábio Sasso). Seguindo a linha de orientação escolhida para este ano, Pepa Pombo e a sua filha Mónica Holguín basearam a sua colecção em materiais que não causam danos ambientais. As tendências foram marcadas pelas cores escuras, como o negro e o azul, criando silhuetas sóbrias e elegantes. As referências étnicas e multiculturais resultam numa paleta cromática mais colorida na área dos acessórios. A cor de pele e o bege também tiveram presença nos desfiles. Golas altas, casacos compridos, mangas largas, decotes em V e vestidos curtos acompanhados de cintos largos são as tendências mais marcantes. Olga Piedrahíta foi a estilista que abriu oficialmente o certame. As referências artísticas são importantes para a sua colecção, que encontra no abstraccionismo uma fonte de inspiração para os seus estampados arrojados. A silhueta é de uma mulher urbana, teatral, criativa, provocadora. A marca Little Lucia's, com a colecção "Infashion Blancox", baseou a sua temática em contos de fadas, nomeadamente em princesas e guerreiros. Os acessórios, desenhados por Natalia Criado, são o foco das silhuetas e recorrem ao uso de cores metalizadas, dourados e à transformação de objectos quotidianos em peças criativas.
 
Pode continuar a ler este artigo do jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS (29-07-2011) aqui.
 
 


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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Mário Fernandes, Mónica Calle e René Vidal (fotografia: Bruno Simão)

 

 

O reverso do mundo dos media e das actualidades, o reverso das novelas, das notícias, da gestão cultural, da mediação cultural, dos ministérios, dos cursos de escrita criativa, das vernissages, da troika, dos teatros nacionais, dos patrocínios, dos actores de novela, dos  festivais multimédia, dos simpósios sobre racismo, alimentação natural, das fotos espectaculares, dos talkshows, dos anúncios dos economistas, o reverso do mundo agora. É sobre ele que Mónica Calle, uma das grandes encenadoras europeias de hoje, trabalha há anos: permanentemente, obsessiva e inteligentemente, decidida, crua, uns dias sem esperança, outros cheios dela. É assim há vinte anos. Agora pode ser visto na casa conveniente “A Missão”, esse texto sobre a revolução, o seu falhanço, a ressaca, a necessidade (a ordem dos factores aqui é arbitrária) de H. Müller. Céptica ou magoada ou cheia de amor a encenadora faz essa coisa brilhante que é pegar no reportório e aniquilá-lo para não o deixar morrer e “A Missão” é de uma actualidade que parece ter sido escrita hoje ou em 1979. Vemo-nos ao espelho, hoje! Com actores sólidos e com corpos que dançam fulgurantes a revolução.

 

António Pinto Ribeiro

 

 

Um espectáculo de Mónica Calle a partir de “A Missão” de Heiner Müller

Com Mário Fernandes, Mónica Calle e René Vidal

De 21 a 31 de Julho de 2011

(todos os dias, em sessões duplas: 1ª sessão: 20h / 2ª sessão: 22h)

 

 

 



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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

 

Uma das instalações artísticas do PRÓXIMO FUTURO no Jardim da Gulbenkian, fotografada por Catarina Botelho. A peça chama-se Casulo, é da autoria da artista Nandipha Mntambo (nascida na Suazilândia, actualmente a viver na África do Sul), vencedora do 2011 "Standard Bank Young Artist Award for Visual Art".

O "Casulo" instalado no Jardim é visitável até 30 de Setembro de 2011.

 

Utilizando os media mais diversos – da pintura ao vídeo –, tem-se concentrado, nos últimos anos, num trabalho sobre a feminilidade e na sua representação e expressão a partir do corpo feminino. Interessam-lhe os temas que limitam a dimensão mágica e estranha da condição humana, com as representações das figuras míticas andróides, que lhe serviram como tema de pintura e nas quais se fez auto-retratar. Da representação bidimensional para a escultura e para a instalação é um pequeno passo – algo que permanece – e as suas esculturas em pele e resina expressam bem essa atracção por tudo o que irrompe de animal no quotidiano, seja na sua dimensão de ferocidade ou de ternura. A obra, criada propositadamente para o Próximo Futuro, conjuga a relação da natureza com a do acolhimento ao visitante que se passear pelo jardim. Ao se deparar com o “Casulo”, perceberá que, neste caso, o corpo é a medida de todas as coisas.

 

 



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Terça-feira, 26 de Julho de 2011

 

 

 

 

Fundada em 2003, a Kwani Trust é uma rede queniana centrada na actividade literária com o propósito de desenvolver escrita criativa de qualidade e empenhada no crescimento da indústria criativa através da publicação e distribuição da literatura contemporânea africana, oferecendo também oportunidades de formação, produção de eventos literários, assim como o estabelecimento e manutenção de redes literárias globais. Pretendem "contribuir para uma sociedade que usa as suas histórias para se ver a si própria de um modo mais coerente".

Ler mais aqui.

 

 



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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

 

 

Artigo para ler no The Economist sobre liberdade de imprensa a propósito do Equador e do seu Presidente, Rafael Correa (na foto).

 

 



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Até ao próximo dia 31 de Julho é possível ver em Washington a primeira parte de três da plataforma visual About Change in Latin America and the Caribbean, com trabalhos de artistas da Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Brasil, Dominica, República Dominicana, Guyana, Haiti, Jamaica, Saint Kitts e Nevis, Saint Lucia, Saint Vincent e the Grenadines, Suriname, Trinidade e Tobago e Uruguai.

 

Ler e ver mais aqui.

 

 



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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Saïdou Dicko (Burkina Faso), Le voleur d’ombres, 2005-2009

 

 

Em véspera de fim-de-semana lembramos que ainda pode ver a exposição "Fronteiras": mostra central dos 8.os Encontros Fotográficos de Bamako, cuja itinerância internacional inclui Portugal pela primeira vez.

Desde a sua inauguração em Lisboa, no âmbito do Programa Gulbenkian PRÓXIMO FUTURO, já foi visitada por 9.187 pessoas.

 

Pode agendar uma visita guiada através do Descobrir, sendo que aos Domingos a entrada na exposição é sempre gratuita.

 

Eis notícia de Miguel Matos sobre estas "Fronteiras":

Veio do Mali e chegou à Gulbenkian a exposição “Fronteiras”: um conjunto de 180 obras em fotografia e vídeo de 53 artistas africanos e afro-americanos, que estiveram representados na última edição dos Encontros de Bamako, produzida em 2009. Segundo António Pinto Ribeiro, comissário do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, trata-se da “maior exposição de fotografia africana alguma vez mostrada em Portugal”. E é também uma exposição que nos mostra uma África multifacetada em questões sociais e políticas ou étnicas. (...)

 

Também continuam visitáveis, durante todo o verão, as instalações artísticas de Nandipha Mntambo (ÁFRICA DO SUL) e do colectivo Raqs Media (ÍNDIA), para além das intervenções dos artistas Bárbara Assis Pacheco (PORTUGAL), Délio Jasse (ANGOLA), Isaías Correa (CHILE) e Rachel Korman (BRASIL) nos chapéus-de-sol concebidos pela arquiteta Inês Lobo, também no JARDIM Gulbenkian.

 

Mais informações e contactos, aqui.

 

 



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 Bike em Paraty

 

 

"Tour dos Trópicos": David Byrne (músico) e Eduardo Vasconcellos (urbanista)

 

O primeiro a falar foi o David Byrne que estava lançando o livro "Diários de bicicleta".

 

Ele como turista gosta de visitar os lugares de bicicleta porque pode ver e apreciar coisas que de outra forma não veria.

Acredita que nosso modelo atual de cidade isola as pessoas, e a cidade na verdade é um lugar de diversidade e troca.

 

Mostrou com algumas imagens de Frank Lloyd Wright, Le Corbusier e outros, a ideia de cidade do futuro no Século XX. Ela é cheia de 'highways', sem lugares para interação humana ou o encontro de pessoas. São cidades cheias de torres isoladas, acabando com as ruas, uma ideia bastante influente do século passado... 

 

A GM era durante todo esse período a maior corporação do mundo e apoiava as ideias de construção de largos 'boulevards' para muitos carros. Essa configuração é hostil para os pedestres e as cidades hoje são assim graças a essas influências.

 

As ruas menores tem um modelo mais caótico, pois as pessoas se encontram mais, e você nunca sabe com quem vai cruzar. Na Europa as coisas já estão mudando. Já existem cidades que tem no mesmo espaço em conjunto, bicicletas, carros e pedestres.

 

O Eduardo também defendeu a mudança na qualidade de vida das cidades. Mas aqui no Brasil elas vão ter que passar antes por um aumento da cidadania da população. As pessoas não conhecem seus direitos nem deveres para poderem lutar por melhores condições. Aqui quem vai a pé ou de 'bike' trabalhar é porque não tem dinheiro, fazem parte de uma classe de baixa renda.

 

No Brasil também ainda há o mito que todos preferem o automóvel, que faz parte da proposta desenvolvimentista dos anos 70. Assim as classes de renda mais alta, que têm um ou mais carros, ocupam mais espaço público e gastam mais recursos (energia) e poluem mais que as de renda baixa.

 

É preciso gerar conhecimento para gerar constrangimento ético, para que as pessoas usem mais o transporte público, a bicicleta ou andem a pé. Transformar esse espaço hoje hostil às pessoas e caminhar em direção a uma nova cidade.

 

A palestra do David Byrne foi bastante esperada, foi legal, mas as pessoas claramente esperavam mais, talvez que ele cantasse? 

 

 

Praça

 

 

'Pensamento Canibal': Eduardo Sterzi e João Cezar de Castro Rocha

 

Essa mesa faz parte da homenagem ao Oswald, e eles falaram dos desdobramentos da antropofagia depois de seu momento inicial em ‘22.

 

João Cezar foi primeiro a falar e colocou uma pergunta para depois tentar responder:

“A antropofagia define a sensibilidade do brasileiro (se tiver caráter histórico) ou é universal (questão antropológica)?”

A resposta é e não é. Porque ela tanto pode ser uma teoria sobre a alteridade cultural, quanto foi elaborada num período específico para atender a um problema específico. Foi escrita em São Paulo em 1928.

Uma das questões é que, para assumi-la como universal precisaríamos ainda ter que despir o Oswald de sua “brasilidade”. Por ainda não termos superado um complexo de colonizado, não a transformamos numa teoria universal.

 

No Manifesto detectamos aspectos locais (necessidade de nos atualizarmos em relação à Europa, a colonização portuguesa), e também aspectos universais.

Assim a antropofagia é de fato uma teoria cultural, mas uma teoria onde as circunstâncias são assimétricas. Ou seja, ela é acionada pelo dominado, por quem está na posição de desfavorecido, por nós e não pelos europeus. Preservamos uma capacidade de seleção, pois ainda precisamos recorrer à Europa, mesmo hoje.

 

Ressaltou que é preciso se reinventar a crítica cultural no Brasil, que se baseia num modelo de falsa dicotomia entre local versus universal que foi útil até à década de ‘60.

 

O Eduardo ressaltou que o Oswald é visto como um clássico e assim fica circunscrito a dois períodos de ‘22 e de ‘60. E ele escreveu a vida toda, se aprimorando, até morrer.

Mais que uma teoria da cultura, nos seus escritos tem teoria para tudo: economia, direito, estética, religião.

 

A ideia da antropofagia não é original e o Oswald também fala isso. Lembraram Catão, Rabelais e em 1919 Picabia com “canibal-dada”...

 

O que o Oswald fez foi alterar o fluxo das trocas culturais, usando como matéria-prima um conceito que transformou para criar uma teoria. O poeta antropófago só sente a alegria da influência.

 

 

Doces

 

 

Imagens e textos de Madame de Stael, correspondente em Paraty

 

 



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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Barco (Amor Eterno)

 

 

Joe Sacco - 2 livros lançados aqui: "Notas sobre Gaza" e "Palestina"

 

O fluxo das informações é controlado pelos oligopólios da imprensa, por isso ele opta por um jornalismo em quadrinhos. Passa um tempo nos lugares, Bósnia, Palestina, etc... convivendo com as pessoas. Faz os desenhos tempos depois, mais amadurecidos e já mais carregados de sentido.
Está preocupado com a realidade dos civis que são os que mais sofrem com a guerra. Suas vidas lhe são retiradas, um dia você tem um futuro no outro não mais.
Através dos quadrinhos ele acredita que pode trazer o leitor mais próximo daquela realidade. No desenho ele pode voltar ao passado, pode desenhar de perspectivas que às vezes nao é possivel na fotografia. Em locais muito tensos, onde é proibido fotografar, como check points, ele faz sketchs. Nos quadrinhos pode mostrar repetidamente um cenário ao fundo, enquanto na ação principal apresenta um diálogo dando uma outra dimensão mais dramática, o que não é possivel na escrita. 

Ou ainda com múltiplas imagens pode ir para frente e para trás.

Uma outra coisa bem legal que ele falou, foi sobre a atividade de jornalista. O jornalismo é visto e ensinado com uma obsessão pela objetividade. Mas na realidade as coisas não são bem assim. As pessoas contam coisas que às vezes são contraditorias, existem vários pontos de vista e a memória engana. Ele mesmo como jornalista de outra cultura tem preconceitos, e tudo isso ele deixa a mostra, dando espaço para eventualmente ser confrontado pelas pessoas das quais ele fala.
O jornalismo e juntar informações não são uma ciência e ele quer mostrar essas contradições.
É autodidata no desenho e sua influência é Bruegel "The Elder". (Tem tudo a ver!)

Foi muito boa essa mesa!

 

 

Tenda dos Autores

 

 

João Ubaldo Ribeiro - 'alegorias da ilha brasil'

 

A palestra foi divertida, agradável, ele é incrivelmente bem humorado.
Entrevistado por Rodrigo Lacerda, sempre com uma pergunta sobre cada livro. As respostas sempre tinham muita história.

Aqui algumas respostas:

A primeira pergunta: Parece que Itaparica é o cenário dos livros. Seria uma metáfora do Brasil? Mas ele diz que não sabe, que acaba sendo assim. As ilhas são fictícias. Esse ambiente faz parte da sua formação, é o que conhece. Ele diz ter uma certa insegurança em escrever sobre o Rio. No final os textos saem com cara de Itaparica.

Não se preocupa com a veracidade mas com a verossimilhança. Não é realidade, mas invenção.

Em '63 quando publicou seu primeiro livro, se considerava engajado, político, que mudaria o destino da humanidade e iria ganhar o prémio Nobel... mas a vida não transcorreu assim... (Toda a conversa é falada com bom humor, cheia de risos... Aqui não vou conseguir expressar)

Diz que o escritor escolhe que tipo vai ser, a decisão é sempre de cada um.
Para o jovem que deseja ser escritor, é preciso ler muito, ser humilde, obstinado e o resto é um mistério. Sempre existe o imponderável para o êxito profissional, não há receita.

 

Sobre "Sargento Getúlio", fala ser esse o nome de um dos sargentos do pai, que era chefe de seguranca.

O livro foi comparado ao "Grande sertão veredas," porém ele não concorda. Diz que o seu santo não bate com o do Guimarães Rosa. Reconhece a importância dele na literatura, principalmente por que conhecia bem Graciliano Ramos e sabia do seu sofrimento em traduzir os diálogos do sertão numa prosa mais "culta" e Guimarães Rosa rompeu com isso.

Depois de um tempo e já com livros publicados, e: "sabendo que não ganharia o nobel," conta que as pessoas só falavam do Sargento Getúlio. Não queria ser reduzido a esse livro, e "Vencecavalo e o outro povo" título que ninguém nunca lembra, nem ele, partiu da vontade querer escrever: "o retorno do Sargento Getúlio," e queria (isso na gozação), escrever a volta, o filho, a cavalgada todas do Sargento Getúlio. Um desses títulos achou que poderia ser o título para o novo livro. Foi conversar com Jorge Amado que lhe deu um "esbregue"(bronca). Assim o livro de contos ficou com o título de um dos contos.... esse que ninguém nunca lembra.

"Vila Real" é um livro que ele adora, mas fica magoado que ninguém leu. Tem universo semelhante ao "Sargento Getúlio" com linguagem mais rebuscada. 
Um dia implicaram que por aqui só se escreviam livros finos. E essa foi a génese do "Viva o povo brasileiro." Ele queria mesmo era escrever um livro grosso. Conta que não queria entregar os manuscritos de jeito nenhum, não queria mais parar de escrever e reescrever. De tão grande, chegou até a pesar a pilha dos originais. Ainda hoje, se ele abre o livro, acha algo que quer reescrever.
O livro não teve nada a ver com querer reescrever a história do Brasil e falar dos oprimidos. Queria só fazer um romance caprichado e grosso para mostrar ao tal fulano que disse que ele escrevia "livrinho." (acho que foi um editor)
Para os personagens pensou em canalhas notórios e que se tivessem poder de vida e morte, o que poderiam fazer.

Em relação ao "Sorriso do lagarto" disse que tem medo do ser humano pilotando seu próprio destino. Não é otimista em relação a humanidade. Todos somos contraditórios e nossa ruindade tem prevalecido ao longo da história.
Sobre a "Casa dos budas ditosos" falou, e brincou com o fato que o livro agrada as mulheres e deixa os homens intranquilos. 
Ofereceram a ele escolher o pecado. Não escolheu a preguiçaa por ser baiano. Escolheu luxúria e sobre a inspiração disse: "cheque gera inspiração, foi uma encomenda, assim que se geram as obras de arte" (a conversa sempre em tom de humor e risadas e esse foi um desses momentos).
Sobre seus personagens ele disse que eles tem vida própria. Quer que casem e eles não casam."Eles só fazem o que querem." 

Foi divertido, leve, todos aplaudiram de pé. Típico espirituoso bom humor baiano brasileiro.
 

 

Telhados

 

 

Com James Ellroy

 

O livro que ele está lançando aqui é "Sangue Errante". Acontece depois dos assassinatos de Kennedy e Martin Luther King e antes de Watergate. É sobre homens ruins amando mulheres poderosas. Para ele o encontro entre um homem e uma mulher é o máximo e depois tudo é resto. A redenção vem através do amor. Os personagens são pessoas ruins, fazendo coisas más em nome do poder.

Ele é um showman. Disse que gosta mesmo de enterter a plateia. Fez várias piadas. Como a venda dos livros para cinema ajudaram a pagar os divórcios dele. Não comenta se achou os filmes bons ou ruins, não liga. Não usa a internet nem computador. E diz que tenta "hold his curiosity in" para ficar no tempo dos livros dele. É vidrado em Beethoven. Tem bustos dele por toda a casa.

Quando perguntado o que ele achava de ter sido chamado de Dostoiévski americano responde: "I will take it but never read it, or Tolstoi or any russians, don't know anything about Russia", só alguns pianistas. Perguntaram também sobre a relação entre filmes noir e tragédias gregas com seus livros. Ele respondeu que já tinha namorado uma grega e que os gregos que conhecia eram donos de giro no Queens. Típico americano que nunca tinha vindo ao "third world e até que não é tao mal quanto ele imaginava".

Se diz cristão mas não vai a igreja. Tem um discurso moralista pois apesar de não julgar seus personagens eles fazem coisas ruins, se entregam aos pecados da carne, mas acabam indo para o inferno. A história é de sucesso e apesar daquela coisa típica americana (estava usando camisa florida), não sabia nada do resto do mundo...

Mas a sinceridade com que assumiu o que não conhece da literatura ou do mundo, sem rodeios me fez simpatizar com ele. Além disso tem uma história dark. O livro "Black Dhalia", foi uma maneira de expressar o que sentia pela morte da mãe através do que sentia pela morte da Elizabeth Short. A mãe também foi brutalmente assassinada num crime sem solução. Depois foi morar com o pai, um homem permissivo, se envolveu com drogas, etc... Beethoven é a figura masculina na vida dele. Seu ídolo desde os 12 anos. Disse que sempre quis ser 'novelist', queria uma identidade, os 'cool friends', 'cool car', dinheiro. Não boas razões para fazer arte. Até que deixou isso de lado, largou as drogas, uma história veio e só aí pode escrever.

Terminou recitando um poema para falar "why do I write" de Dylon Thomas.

 

 

 

Imagens e textos de Madame de Stael, correspondente em Paraty



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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Na foto: Caryl Phillips

 

 

'Ficções da diáspora', com Kamila Shamsie (Paquistanesa - vive em Londres) e Caryl Phillips (Caribenho - vive nos EUA)


O livro "Sombras Marcadas" partiu de uma leitura que ela fez a respeito do bombardeio em Nagasaki. Chamou muito sua atenção o fato de que no momento do bombardeio as pessoas que estavam de kimono preto e branco (que absorve/repele calor), ficarem com as estampas impressas na pele. E seu livro parte da vontade de imaginar a história de uma mulher que passou pelo bombardeio. A narrativa se inicia no Japão, passa pela Índia, Paquistão, acabando na guerra ao terror.

Não me instigou. Ao contrário do Caryl. O livro "A travessia do rio" tem a intenção de contar a história do atlântico a partir de histórias pessoais. Nós no Rio, em NY, África e Europa temos essa história no nosso passado como uma grande narrativa, factual e também abstrata. Ao contá-la do ponto de vista das pessoas, das várias pessoas envolvidas, cria uma situação mais íntima com a qual nos relacionamos mais.
O personagem de quem ele mais fala, é um negro que vende seus filhos como escravos, porque perde sua plantação.

Falaram também sobre o trabalho do artista. É preciso ser um pouco louco, para achar que suas obsessões privadas possam interessar as pessoas. A arte seria também uma necessidade de entender o mundo (verdade). It's a leap of faith. 

Ele (que gostei muito) falou ainda que o trabalho do artista não é curar uma sociedade, mas levantar um espelho, com dignidade, para que a arte nos mostre quem somos. 

 

 

Texto de Madame de Stael, correspondente em Paraty

 



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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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