Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

 

 

O chileno Eugenio Dittborn (Santiago do Chile, 1943) trabalha desde 1983 na produção de obras que designou de “Pinturas aeropostais”. O conceito é simples: as obras que são maioritariamente sobre papel, material plastificado ou vídeos, são criadas a partir de temas recorrentes como o conflito, a tragédia, a interrupção da viagem, o acidente, a distopia. Essas obras depois são enviadas para o destino da exposição dobradas (ou embaladas, no caso dos vídeos) e colocadas dentro de envelopes de encomenda postal, tendo escrito na capa o endereço, o remetente do artista e a descrição. À medida que vão sendo apresentadas em vários lugares estas obras vão acumulando no sobrescrito a listagem desses lugares por onde passaram.

 

Há aqui uma nítida vontade de ‘transterritorialidade’ mas digamos que, para além deste método, há nas técnicas utilizadas, no suporte e nas linguagens, uma tal noção de espaço, de essencialidade, e de beleza que, o seu conjunto, nesta mostra no Centro Cultural do Santander de Porto Alegre, é de uma euforia contagiante, não perdendo a sua proximidade do abismo.

 

António Pinto Ribeiro

 

 



publicado por Próximo Futuro às 09:00
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
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