Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

 

 

É a oitava edição da Bienal do Mercosul, uma das mais singulares bienais de arte do mundo. Abriu no passado dia 10 em Porto Alegre, uma cidade do Rio Grande do Sul, e ocupa vários armazéns desafectados do porto, alguns museus e ainda vários sítios da cidade. O tema geral da Bienal é “Ensaios de Geopoética” e continua uma certa tradição de relação da arte com a política que tem caracterizado esta Bienal nas últimas edições.

 

A curadoria geral é de José Roca, que anuncia que a Bienal se propôs apresentar obras que reflectem a noção de território a partir das perspectivas geográfica, política e cultural. Aparentemente nada de muito novo neste enunciado que é suficientemente vago para permitir a apresentação de trabalhos organizados, estes sim, em “entradas” mais específicas e pertinentes. São elas: a( geo)poética propriamente dita, mercado, raça, questão, indígena, cadernos de viagem, entre outras. A montagem  – na secção apresentada  nos armazéns do porto – conta com um dispositivo de recepção das obras que é claro e estimula o cruzamento de múltiplas obras e projectos. Maioritariamente constituída por instalações e vídeos, a mostra não se limita a apresentar artistas oriundos dos países do Mercosul mas inclui artistas chineses, dos Camarões, egípcios, franceses, alemães, etc.

 

As obras que destacamos são da autoria de Duke Riley (EUA), Javier & Erika (Cuba) – “Haciendo mercado” –, Leslie Shows (EUA) – “Display of properties” –, Marcelo Cidade (Brasil) – “Luto e Luta” –, Paola Parcerisa   (Paraguai) – “Bandera Vacia” –, Paco Cao (Espanha) – “El veneno del baile “. Na secção Cadernos de Viagem, que resulta de viagens dos artistas pela região do Rio Grande do Sul e cujos resultados são maioritariamente muito felizes, realçam-se as obras de Beatriz Santiago Munõz – “Folc- industrial” – vídeo sobre os horários de trabalho dos operários das indústrias de Caxias de Sul – e “Nuevas Floras” de Maria Elvira Escallón, esculturas talhadas nas árvores vivas das Missões durante a evangelização, que actuam como um estilete na recepção do visitante.

 

 

António Pinto Ribeiro

 

(Fotos com obras de Leslie Shows e de Maria Elvira Escallón)

 

 

 

 

 



publicado por Próximo Futuro às 09:00
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
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