Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

 

 Bike em Paraty

 

 

"Tour dos Trópicos": David Byrne (músico) e Eduardo Vasconcellos (urbanista)

 

O primeiro a falar foi o David Byrne que estava lançando o livro "Diários de bicicleta".

 

Ele como turista gosta de visitar os lugares de bicicleta porque pode ver e apreciar coisas que de outra forma não veria.

Acredita que nosso modelo atual de cidade isola as pessoas, e a cidade na verdade é um lugar de diversidade e troca.

 

Mostrou com algumas imagens de Frank Lloyd Wright, Le Corbusier e outros, a ideia de cidade do futuro no Século XX. Ela é cheia de 'highways', sem lugares para interação humana ou o encontro de pessoas. São cidades cheias de torres isoladas, acabando com as ruas, uma ideia bastante influente do século passado... 

 

A GM era durante todo esse período a maior corporação do mundo e apoiava as ideias de construção de largos 'boulevards' para muitos carros. Essa configuração é hostil para os pedestres e as cidades hoje são assim graças a essas influências.

 

As ruas menores tem um modelo mais caótico, pois as pessoas se encontram mais, e você nunca sabe com quem vai cruzar. Na Europa as coisas já estão mudando. Já existem cidades que tem no mesmo espaço em conjunto, bicicletas, carros e pedestres.

 

O Eduardo também defendeu a mudança na qualidade de vida das cidades. Mas aqui no Brasil elas vão ter que passar antes por um aumento da cidadania da população. As pessoas não conhecem seus direitos nem deveres para poderem lutar por melhores condições. Aqui quem vai a pé ou de 'bike' trabalhar é porque não tem dinheiro, fazem parte de uma classe de baixa renda.

 

No Brasil também ainda há o mito que todos preferem o automóvel, que faz parte da proposta desenvolvimentista dos anos 70. Assim as classes de renda mais alta, que têm um ou mais carros, ocupam mais espaço público e gastam mais recursos (energia) e poluem mais que as de renda baixa.

 

É preciso gerar conhecimento para gerar constrangimento ético, para que as pessoas usem mais o transporte público, a bicicleta ou andem a pé. Transformar esse espaço hoje hostil às pessoas e caminhar em direção a uma nova cidade.

 

A palestra do David Byrne foi bastante esperada, foi legal, mas as pessoas claramente esperavam mais, talvez que ele cantasse? 

 

 

Praça

 

 

'Pensamento Canibal': Eduardo Sterzi e João Cezar de Castro Rocha

 

Essa mesa faz parte da homenagem ao Oswald, e eles falaram dos desdobramentos da antropofagia depois de seu momento inicial em ‘22.

 

João Cezar foi primeiro a falar e colocou uma pergunta para depois tentar responder:

“A antropofagia define a sensibilidade do brasileiro (se tiver caráter histórico) ou é universal (questão antropológica)?”

A resposta é e não é. Porque ela tanto pode ser uma teoria sobre a alteridade cultural, quanto foi elaborada num período específico para atender a um problema específico. Foi escrita em São Paulo em 1928.

Uma das questões é que, para assumi-la como universal precisaríamos ainda ter que despir o Oswald de sua “brasilidade”. Por ainda não termos superado um complexo de colonizado, não a transformamos numa teoria universal.

 

No Manifesto detectamos aspectos locais (necessidade de nos atualizarmos em relação à Europa, a colonização portuguesa), e também aspectos universais.

Assim a antropofagia é de fato uma teoria cultural, mas uma teoria onde as circunstâncias são assimétricas. Ou seja, ela é acionada pelo dominado, por quem está na posição de desfavorecido, por nós e não pelos europeus. Preservamos uma capacidade de seleção, pois ainda precisamos recorrer à Europa, mesmo hoje.

 

Ressaltou que é preciso se reinventar a crítica cultural no Brasil, que se baseia num modelo de falsa dicotomia entre local versus universal que foi útil até à década de ‘60.

 

O Eduardo ressaltou que o Oswald é visto como um clássico e assim fica circunscrito a dois períodos de ‘22 e de ‘60. E ele escreveu a vida toda, se aprimorando, até morrer.

Mais que uma teoria da cultura, nos seus escritos tem teoria para tudo: economia, direito, estética, religião.

 

A ideia da antropofagia não é original e o Oswald também fala isso. Lembraram Catão, Rabelais e em 1919 Picabia com “canibal-dada”...

 

O que o Oswald fez foi alterar o fluxo das trocas culturais, usando como matéria-prima um conceito que transformou para criar uma teoria. O poeta antropófago só sente a alegria da influência.

 

 

Doces

 

 

Imagens e textos de Madame de Stael, correspondente em Paraty

 

 



publicado por Próximo Futuro às 09:00
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
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