Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Um poema de Breyten Breytenbach

 

 

HÁ UM PÁSSARO IMENSO

 

 

 

há um pássaro imenso meu amor

talvez um cisne selvagem

ou um albatroz cativo

ou falcão da montanha meu amor

de imenso e luminoso pico de neve

 

o seu rumo nocturno não podemos vê-lo

pois negro é o seu peito e o seu bico

mas o seu canto vibra como uma estrela

 

o dorso, e as ósseas penas, são azuis

e assim, também de dia não o vemos

porque voa, na altura, de ventre virado ao sol

 

dele, apenas, por vezes, duas sombras

atravessam teus olhos meu amor

 

dúbia é a cor da cor do meu amor

escuro rondando o escuro, noite minha

e sempre, sempre entre os meus olhos e eu

 

trad. de Mário Cesariny

 



publicado por Próximo Futuro às 06:52
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Próximo Futuro é um programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África.
Orquestra Estado do Mundo
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